O ex-companheiro da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, prestou depoimento à Justiça nesta segunda-feira (13). Gilberto Jarson, acusado de feminicídio, atribuiu à vítima problemas como depressão, dívidas e solidão após o casamento dos filhos. Ele sustentou que Marlene tirou a própria vida.
A audiência ocorreu na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Foi a primeira vez que o réu falou diretamente à Justiça desde o crime, ocorrido em abril deste ano.
Durante o interrogatório, Gilberto afirmou que a policial enfrentava problemas emocionais havia meses. Segundo ele, Marlene fazia tratamento psiquiátrico, usava medicamentos controlados e estava abalada após o casamento dos filhos. “Depois que os filhos casaram, ela ficou muito triste. Ela falava que estava sozinha”, declarou.
O acusado disse que a companheira reclamava do trabalho após retornar à ativa na Polícia Militar, tinha problemas financeiros e fez empréstimos que a endividaram. Gilberto também afirmou que Marlene falava em tirar a própria vida. “Eu tomei o isqueiro dela”, relatou.
Segundo ele, as ameaças continuaram mesmo após tentativas de convencê-la a buscar ajuda médica. Ele contou que decidiu deixar a residência onde o casal morava e que a decisão provocou uma nova reação da policial. “Ela falou que, se eu fosse embora, ela ia fazer aquilo que estava prometendo fazia tempo”, afirmou.
O réu negou ter efetuado o disparo. Segundo sua versão, encontrou Marlene armada dentro de casa e tentou impedir que ela atirasse. “Quando eu vi, ela estava com o revólver. Corri para tirar da mão dela. Aí aconteceu o disparo.” Ele afirmou que a companheira morreu em seus braços. “Ela morreu nos meus braços.”
Gilberto também responde por armazenamento de pornografia infantil. Ao ser questionado sobre as imagens encontradas em seu celular, alegou desconhecimento. Disse que não sabe ler nem escrever e que não possui conhecimento para usar diversas funções do aparelho. A mesma justificativa foi repetida para documentos e mensagens citados na audiência.
Ele negou participação na morte e disse ter passagem por um homicídio que confessa. “Eu não matei ela. Se eu for condenado, vou ser condenado inocente”, declarou.
Após a audiência, o advogado Jeferson Soares afirmou que a defesa considera positivo o resultado da instrução. “A expectativa é bem positiva, pelo fato que uma das testemunhas da defesa relatou que ela realmente tinha depressão e estava fazendo tratamento”, disse. A testemunha, irmã de Gilberto, afirmou que Marlene comentava sobre tratamento psiquiátrico e uso de medicamentos.
A defesa informou que pretende pedir perícia em aparelhos eletrônicos para tentar recuperar conteúdos que reforcem a tese de suicídio. Sobre as imagens de pornografia infantil, o advogado disse que, conforme consta no processo, os arquivos seriam conteúdos retirados da internet.
Marlene foi encontrada morta com um tiro no pescoço dentro da residência onde vivia com Gilberto, no Conjunto Habitacional Estrela d’Alva, em Campo Grande. A Polícia Civil concluiu pelo feminicídio. Gilberto segue preso preventivamente.
A audiência foi a segunda do processo. Na primeira sessão, em junho, sete testemunhas foram ouvidas. A defesa já havia sustentado a tese de suicídio e afirmado que a policial fazia tratamento para depressão.
