13/07/2026
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Ex-locutor e prefeito cassado, Alcides Bernal morre aos 60 anos

Ex-locutor e prefeito cassado, Alcides Bernal morre aos 60 anos

O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, morreu na madrugada desta segunda-feira (13), aos 60 anos, na véspera de seu aniversário.

A comunicação foi determinante na trajetória de Bernal. Ele foi considerado um dos melhores radialistas de Campo Grande, o que garantiu forte conexão com a população e uma longa carreira no Legislativo, como vereador e deputado estadual. Ao chegar ao Paço Municipal em 2012, porém, fechou-se ao diálogo com a classe política, o que resultou em sua cassação em 2014.

No dia de sua morte, quem conviveu com ele lamentou o fim trágico, após o envolvimento com o assassinato do fiscal tributário aposentado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto a tiros por Bernal em março deste ano, em um imóvel no Jardim dos Estados.

O diretor da Rede MS de Rádio e Televisão, Ulisses Serra Netto, conhecido como Noninho, falou sobre os 18 anos de Bernal na FM Cidade 97. “O Alcides, como locutor, foi exemplar, um dos melhores que eu tive”, disse. Ele lembrou que Bernal começou nas madrugadas, na Rádio Ativa, e depois assumiu o programa Refazenda. “Teve uma trajetória muito rápida, sempre liderando a audiência. Tecnicamente impecável”, completou.

O ex-vereador Paulo Pedra, um dos seis parlamentares que votaram contra a cassação de Bernal, afirmou que o perfil de “líder popular” chamou a atenção dos eleitores. “Ele foi um dos melhores, talvez o melhor radialista que já tivemos em Campo Grande. Isso fez ele se aproximar dos eleitores, ele foi para as bases e essa conexão o sistema não conseguiu apagar”, avaliou.

A candidatura foi considerada de estilo “azarão”, termo usado no turfe para quem tem baixa probabilidade de vitória. O cenário político era de hegemonia do então PMDB, mas o candidato do PP venceu no segundo turno. Sem aliados, lançou chapa pura, contra outros seis adversários.

Segundo Pedra, ao assumir a administração, “faltou maturidade e, por causa disso, foi cassado”. Ele compôs o primeiro escalão de Bernal quando o ex-prefeito voltou à Prefeitura para encerrar o mandato. “Ele voltou, fez uma administração boa, mas perdeu a conexão. Tentei fazer o que fosse possível”, disse. Pedra lamentou o último capítulo da história de Bernal. “Mostrou, da parte dele, um desequilíbrio”, finalizou.

O deputado estadual Zeca do PT, que ocupava uma cadeira na Câmara Municipal em 2012 e também votou contra a cassação, avaliou que a falta de diálogo foi o maior problema da gestão. “Bernal foi vítima da incapacidade absoluta dele de dialogar, de conversar com a Câmara, de negociar. Eu avisei ele disso, eu falei: ‘Bernal, está errado, o processo exige diálogo, conversação, você tem que dialogar com a Câmara, buscar o entendimento’. Acho que ele foi vítima disso, foi criando um grau de radicalismo na Câmara que foi impossível depois contornar”, relatou.

O petista citou a pressão que o ex-prefeito sofreu das lideranças políticas que dominam o cenário sul-mato-grossense e lamentou a tragédia no fim da vida. “Fico sentido com a morte do Bernal, uma figura importante. Cometeu o crime e tinha que cumprir, mas não imaginava que seu fim seria tão trágico”, completou.