15/07/2026
Mundo das Notícias»Notícias»Vídeos contestam versão da PM sobre estupro e abordagem

Vídeos contestam versão da PM sobre estupro e abordagem

Vídeos contestam versão da PM sobre estupro e abordagem

Familiares de um rapaz de 24 anos, baleado por policiais militares no domingo (12) em uma borracharia no Bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande, contestam a versão oficial da ocorrência. Vídeos apresentados pela família mostram um policial entrando no imóvel e dizendo: “Você que estuprou a menina, seu cuzão? Arregaçou a menina”, enquanto se aproxima do suspeito. A família afirma que ele foi tratado como autor de estupro antes mesmo de ser ouvido.

A polícia investiga o homem por suspeita de estupro contra uma adolescente após um baile funk. A família nega o crime. A versão do boletim de ocorrência diz que ele tentou fugir, entrou em luta corporal com um policial e tentou tomar a arma antes de ser baleado. Os parentes contestam essa narrativa.

Uma comerciante de 38 anos, prima do rapaz, afirmou que os policiais chegaram ao local em dois camburões, acompanhados pelo pai da adolescente, que se apresentou como PRF (Polícia Rodoviária Federal). Segundo ela, o grupo não encontrou o suspeito na primeira vez, mas retornou depois com uma testemunha e passou a acusá-lo de estupro. “Já chegaram falando que ele tinha estuprado a menina. Não perguntaram nada e não ouviram ele”, declarou.

A familiar disse que os parentes tentaram impedir a entrada dos policiais na casa do pai do investigado. “O pai da menina foi para cima da esposa do meu tio, fazendo menção de agredir ela, e tivemos que intervir. Depois eles entraram e escutamos os tiros”, relatou. O homem está internado em estado grave na Santa Casa, sob escolta policial. A família enfrenta dificuldades para obter informações sobre o estado de saúde dele.

Eunice Aparecida dos Santos, de 40 anos, prima do baleado, afirmou que ele disse ter conhecido a adolescente naquela noite e que os dois estavam juntos voluntariamente. Imagens de segurança mostram a jovem em uma lanchonete após o rapaz já estar em casa, sem ferimentos aparentes. Eunice também disse ter recebido informações de que outra pessoa poderia ter agredido a adolescente, mas não confirmou a versão.

Marcelo Rodrigues, de 48 anos, pai do rapaz, reconheceu que o filho tem antecedentes criminais e estava com mandado de prisão em aberto por ter rompido a tornozeleira eletrônica. Ele afirma que esse histórico não prova a acusação de estupro. Segundo Marcelo, o filho precisou amputar uma das pernas e corre risco de morrer. “O tiro detonou a perna dele”, afirmou.

O pai acusa os policiais de não terem chamado socorro imediatamente. “Se não fosse minha esposa e a prima dele, os policiais não chamaram socorro. Trouxeram uma camionete para jogar ele igual porco, mas não deixaram. Minha família chamou o socorro e o bombeiro veio”, disse. Os familiares também alegam que policiais teriam falado em destruir as câmeras de segurança do imóvel.

A versão do boletim de ocorrência é diferente. O documento diz que equipes da Força Tática foram até a borracharia após receberem informações sobre o investigado. Ele não foi encontrado de início, mas foi localizado escondido em uma construção nos fundos. Segundo o registro, ele tentou fugir, desobedeceu a ordens de parada e entrou em luta corporal com um militar, tentando tomar a arma. Durante a intervenção, foi atingido por um disparo na coxa.

Documentos anexados ao flagrante apontam antecedentes por roubo, receptação, furto, tráfico de drogas e adulteração de sinal identificador de veículo, além de um mandado de prisão pendente. A família não nega o histórico criminal, mas insiste que isso não prova a acusação de estupro. “Ele pode ter vários problemas, mas ele não é estuprador. Queremos Justiça”, afirmou Eunice. A reportagem solicitou posicionamento da Polícia Militar e da Polícia Rodoviária Federal, mas não obteve resposta até a publicação.