Moradores dos bairros Flamboyant e Tiradentes, em Campo Grande, receberam nesta terça-feira (14) ligações de pessoas que cobravam um suposto “pedágio” de até R$ 50 mil. Os autores alegam pertencer a facções criminosas, citam endereços de casas e empresas e ameaçam as vítimas para exigir dinheiro.
Os relatos apareceram em grupos de moradores após as vítimas perceberem que outras pessoas também receberam chamadas semelhantes. “Vocês estão recebendo ligações de uma pessoa que diz se chamar Rafael fazendo ameaças? Já me ligou várias vezes”, perguntou uma delas. Outra confirmou: “Acabei de receber ligações deste tal de Rafael. Me ameaçou, falou um monte de coisa. Inclusive falou que, se for na polícia, vai matar todo mundo”.
Um empresário, que pediu para não ter o nome divulgado, contou ao Campo Grande News que recebeu quatro telefonemas de número bloqueado. “Na hora que eu atendi, já falou que era do crime. Aí falou a minha rua e já começou as ameaças”, relatou. Após desligar, o telefone tocou novamente. “Falou: ‘Você desligou para chamar a polícia?’. Aí começou a falar que vai matar, que está monitorando minha casa”.
Moradora também gravou a ligação em que um homem cobra o suposto “pedágio”. “É referente ao pedágio, o cadastro da caixinha”, diz o autor. Ao ser questionado, ele afirma que o dinheiro corresponde a uma “taxa de segurança” e alega representar o Comando Vermelho. “É uma taxa de segurança que foi estabelecida e imposta pela facção a todos”.
Durante a conversa, o homem afirma que o pagamento seria entregue pessoalmente e ameaça divulgar dados da vítima. “Acredito que a senhora não queira o nome da senhora, a foto da senhora circulando no nosso caderno do tribunal do tráfico e nos grupos da facção”, diz.
O autor também apresenta valores diferentes conforme o alvo da cobrança. “Para quem é morador, nós cobra aqui uns R$ 2 mil. Sala, escritório, padaria, farmácia, nós cobra aqui uns R$ 5 mil. E as empresas, indústrias, os postos de gasolina, nós cobra aqui os R$ 50 mil”. Surpresa, a mulher responde: “Moço, eu estou estarrecida. Não sei de onde vocês pegaram meu nome, de onde descobriram isso”.
Outras vítimas relataram abordagens em nome do PCC (Primeiro Comando da Capital). Não há confirmação de que os autores pertençam às facções citadas ou de que todas as ligações tenham partido das mesmas pessoas.
As vítimas ouvidas pela reportagem não registraram boletim de ocorrência. O Campo Grande News procurou a polícia para saber se recebeu relatos semelhantes ou apura as ligações, mas não obteve resposta até a publicação da matéria.
