03/07/2026
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Startup cria IA que identifica bovinos por imagem

Startup cria IA que identifica bovinos por imagem

Uma parceria entre a empresa Panta Embryo e a startup Kerow, de Campo Grande, apresentou durante a Pantanal Tech, em Aquidauana, soluções baseadas em inteligência artificial e visão computacional para a pecuária de corte. As ferramentas visam aumentar a eficiência reprodutiva e monitorar o rebanho no pasto, reduzindo a necessidade de manejos físicos constantes.

A coordenadora do Gentra (Grupo de Estudos em Tecnologia da Reprodução Animal) da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), Fabiana Sterze, de 49 anos, explicou que os trabalhos buscam adaptar ferramentas digitais para a reprodução animal. Um dos três produtos em desenvolvimento foca na seleção de embriões, atividade que hoje depende da avaliação visual humana. “Hoje em dia, essa seleção é feita pelo olho humano. Você às vezes tem uma percepção, você tem outra, e eu tenho outro lógico que, com uma base morfológica. Mas existe uma grande variação do olho humano”, afirmou Fabiana.

A nova ferramenta visa padronizar essa análise para escolher os embriões com maior potencial de desenvolvimento de gestação. Segundo a pesquisadora, os reflexos da automação laboratorial aparecem no pasto: “Para o produtor, ele vai sentir a hora que ele tiver melhores taxas de prenhez, quando ele tiver uma maior rentabilidade pelo ganho genético e menor perda dessas gestações”.

Outra solução desenvolvida é o sistema “Endrofarm”, que integra a visão computacional ao monitoramento da saúde, peso, ingestão de água e condição corporal dos bovinos usando câmeras ligadas a painéis solares e softwares. A tecnologia permite avaliar fêmeas receptoras de embriões com base em um histórico de longo prazo. “Se a gente consegue fazer esse acompanhamento através das câmeras, a gente tem um histórico de longo prazo que vai facilitar demais e otimizar os resultados”, disse Fabiana Sterze.

O CEO da Kerow, Fabrício Weber, detalhou que o sistema extrai medidas corporais de forma automatizada e identifica os animais pelo mapeamento do espelho nasal (focinho), que atua como uma impressão digital única. “A gente usa visão computacional e inteligência artificial, pega essas imagens, tira as medidas com um pixel, transforma para medidas reais. É como se eu tivesse com uma trena, tirando todas as medidas biométricas desse animal”, explicou Fabrício.

A empresa conduz pesquisas com animais de zero a dois anos para comprovar que o desenho do espelho nasal não se altera com o tempo, o que pode transformar a tecnologia em um mecanismo de rastreabilidade nacional.

Em relação à disponibilidade comercial, a contagem de animais por imagens de celulares ou VANTs (veículos aéreos não tripulados) já está disponível. Os sistemas de identificação e pesagem por imagem passam por validação com produtores. Atualmente, o sistema registra o peso com um erro médio de 13 quilos no final do confinamento, variação de 3% em um animal de 500 quilos. O índice é comparável à margem de erro das balanças físicas tradicionais, que chegam a 5%. Fabrício Weber esclareceu que a margem de erro indica que a inteligência artificial está discernindo características biométricas, em vez de memorizar padrões fixos. “A visão computacional, se não tiver uma margem de erro, a gente fala que ela decorou e aprendeu. Ela não consegue distinguir, ela simplesmente decora”, afirmou.

Para os desenvolvedores, o principal ganho da pesagem e identificação por câmeras está no bem-estar e na segurança do ambiente rural. Ao reduzir o fluxo de animais pelos troncos e balanças convencionais, o sistema diminui o estresse do rebanho e os acidentes de trabalho. “O que nós buscamos é isso, porque a gente, além de querer mais eficiência, a gente quer menos estresse dos animais. A ideia é diminuir o manejo dos animais, e isso vai diminuir tanto a injúria do ser humano quanto dos próprios animais”, concluiu Fabrício Weber.