18/06/2026
Mundo das Notícias»Notícias»MS lidera cirurgia robótica inédita com Chile e Panamá

MS lidera cirurgia robótica inédita com Chile e Panamá

MS lidera cirurgia robótica inédita com Chile e Panamá

O Hospital da Cassems, em Campo Grande (MS), foi palco de uma iniciativa inédita na medicina robótica mundial nesta quinta-feira (18). A unidade integrou uma rede internacional que conectou, simultaneamente, procedimentos realizados no Brasil, Panamá e Chile por meio da tecnologia de teleproctoria. Essa ferramenta permite que especialistas acompanhem e orientem procedimentos médicos à distância, em tempo real, compartilhando imagens, dados e conhecimento técnico de forma segura. Profissionais de diferentes países puderam interagir instantaneamente, trocar experiências e oferecer suporte durante as intervenções.

A ação reuniu quatro cirurgias robóticas conectadas em uma mesma plataforma. Três delas foram realizadas em pacientes: uma em Campo Grande, uma em Porto Alegre (RS) e outra na cidade do Panamá. A quarta ocorreu no Chile, em um modelo experimental usado para demonstração técnica.

Escolhida como representante da região Centro-Oeste, a Cassems (Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul) participou do projeto por ser a instituição com o maior volume de cirurgias robóticas da região e pela experiência com a plataforma robótica Toumai. Os três procedimentos foram uma correção de hérnia inguinal. Em Campo Grande, a operação foi conduzida pelo cirurgião César Conte, com apoio do médico cirurgião robótico Bruno da Rosa e do médico auxiliar James Câmara.

O protagonismo de Mato Grosso do Sul foi detalhado por Bruno da Rosa, que atuou na supervisão direta dentro de sala. “O motivo da escolha de Mato Grosso do Sul para fazer essa cirurgia, que integra dois países e mais uma região brasileira, é porque o estado hoje é o centro que faz mais cirurgias robóticas, exceto São Paulo, para a plataforma robótica do Toumai”, disse. “Com toda essa nossa experiência, estamos prontos para dividir conhecimento com todas as outras regiões.”

O diferencial da operação foi o acompanhamento especializado em tempo real, mesmo à distância. As três cirurgias foram monitoradas pelo cirurgião Eduardo Parra-Davila, referência internacional em cirurgia robótica, que acompanhou os procedimentos de uma central em São Paulo (SP). A interação ocorreu por meio da teleproctoria, modalidade de telemedicina na qual um médico experiente atua remotamente como mentor. Dependendo da tecnologia, o especialista também pode auxiliar tecnicamente em etapas específicas da cirurgia.

“Existia um proctor, que é como se fosse um mentor. Em São Paulo, ele estava em uma sala de treinamento do robô e conseguia acessar o equipamento daqui de Campo Grande. Em determinados momentos da cirurgia, ele entrava no procedimento, realizava parte da operação e depois devolvia o controle ao cirurgião local para continuar”, explicou a assessoria.

Para o cirurgião César Conte, a iniciativa mostra que a medicina praticada em Mato Grosso do Sul está alinhada com os principais centros mundiais de inovação. “Estar fora do principal eixo do país e oferecer para Mato Grosso do Sul algo inédito desse porte mostra a medicina de ponta que ofertamos”, afirmou. “É a tecnologia garantindo menor dor e recuperação muito mais rápida para o retorno da paciente para casa.”

Para viabilizar a conexão sem atrasos entre os países, a equipe de tecnologia da informação da Cassems desenvolveu uma estrutura exclusiva de transmissão de dados, conectando o robô Toumai ao sistema central do hospital, com mecanismos de proteção e redundância energética. As imagens foram transmitidas em tempo real para o auditório da instituição, permitindo que residentes e estudantes de medicina acompanhassem as cirurgias.

O ineditismo de conectar múltiplos continentes em uma única operação foi chancelado pelo mentor do projeto. Eduardo Parra-Davila destacou que o Brasil reúne características ideais para demonstrar o potencial da tecnologia devido às grandes distâncias entre os centros de referência. “Realizar cirurgia remota multiponto é outro nível, exige muito mais segurança e conexões”, afirmou. “Com essa rede, estamos levando a experiência de um cirurgião de ponta a uma zona geográfica que não teria acesso.”

Diante da complexidade de uma rede intercontinental, a segurança da paciente permaneceu blindada em camadas. Além da força-tarefa da equipe de TI da Cassems, que criou uma rodovia digital dedicada com redundância de dados e energia, Bruno da Rosa assegurou que o protocolo ético e assistencial foi completo. “O nível de segurança está evoluindo a passos largos para os pacientes”, disse. “O formato oferece a melhor proteção possível, reunindo os proctors locais, a equipe in loco, a melhor conexão de internet e as proctorias à distância com especialistas mundiais.”