O ator Breno Moroni, de 72 anos, lamentou a ausência do personagem Mascarado na adaptação cinematográfica de “A Viagem”, prevista para estrear entre o fim de 2027 e o início de 2028. Morando em Campo Grande, o carioca afirmou que não ficou magoado, mas achou ruim cortar o personagem da trama. Ele disse que todos os dias escuta e lê mensagens de fãs perguntando pelo Mascarado e acredita que Adonay faz parte da novela.
O ator considera o Mascarado o personagem mais popular que já interpretou. Segundo ele, diariamente alguém comenta sobre o papel, falam do Mascarado e do Adonay, e até camisetas foram feitas com o personagem. Breno afirmou que o carinho das pessoas é muito grande.
A notícia do filme gerou curiosidade sobre o elenco e o enredo. Nas redes sociais, a ausência do Mascarado foi questionada, assim como as mudanças na história. Apesar de não estar no longa, Breno disse que pretende assistir à estreia. Ele brincou que estará na primeira fila com o saquinho de pipoca. Para ele, transformar a novela em filme é uma estratégia inteligente, já que a produção nasce com garantia de espectadores.
Na versão de 1994, exibida pela TV Globo, Adonay, o Mascarado, era uma figura misteriosa. O personagem falava sem palavras, escondido atrás de uma máscara. Ele circulava pelas ruas distribuindo flores e fazendo brincadeiras com crianças. O segredo foi revelado apenas nos capítulos finais: Adonay escondia o rosto após um acidente que o deixou desfigurado e tinha uma história ligada ao passado da personagem Carmem.
Breno afirmou que o papel foi especial por permitir usar técnicas que estudou a vida inteira, como mímica, pantomima, dança, circo e expressão corporal. Ele disse que na televisão isso raramente acontece, pois normalmente há muito diálogo. O ator lembrou que, se fosse convidado para reviver o personagem hoje, faria diferente. Ele acredita que, embora não tenha mais as habilidades acrobáticas da época, sua comunicação corporal seria melhor, após anos trabalhando com atores surdos.
A versão para o cinema precisou reduzir a história que ocupou meses na televisão. Ao assistir ao trailer, Breno percebeu que a narrativa está mais focada no núcleo principal, no crime, no pecado e nos temas espirituais. Ele afirmou que não é possível colocar tudo em um filme de pouco mais de uma hora. O longa terá no elenco Carolina Dieckmann, Rodrigo Lombardi e Pedro Novaes.
Enquanto o Mascarado ficou de fora, Breno participou do filme “Lídia Baís”, produção inspirada na vida da artista sul-mato-grossense. Ele interpreta Henrique Bernardelli, mestre de pintura da artista. O cantor Ney Matogrosso também faz parte do elenco. Breno comentou que não poderia fazer o filme de “A Viagem” porque estava gravando “Lídia Baís”. Para construir o personagem, ele pesquisou músicas da época, como as pessoas falavam nos anos 1920 e 1930, e estudou a Revolução de 1930. As filmagens foram concluídas recentemente.
Breno também participou de outras produções, como “Filhos do Litoral Central”, “Não Me Lembro”, “Vipushovuko”, “Olhos Fechados” e do documentário “VEMO-1”. Natural de Petrópolis (RJ), ele se formou em teatro nos anos 1970. Durante a ditadura militar, deixou o Brasil e estudou no exterior, aprendendo mímica, pantomima, técnicas circenses, dança e interpretação física. Trabalhou em países como Inglaterra, Cuba e Quênia. Na televisão, passou por emissoras como Globo, Manchete, Bandeirantes, TV Educativa e TV Rio. Aos 72 anos, ele continua aprendendo e se reinventando.
