Investimentos em estradas redesenham a logística e conectam um novo MS. Recursos públicos e concessões aceleram obras, conectam regiões e ampliam a competitividade. Para Mato Grosso do Sul, o asfalto passou a integrar uma estratégia de desenvolvimento. O Estado acelera a pavimentação da malha rodoviária para acompanhar um novo ciclo econômico. A meta é encerrar 2026 com quase 6 mil quilômetros de rodovias estaduais pavimentadas.
De acordo com o planejamento do Governo do Estado, a extensão pavimentada deve chegar a 5.988 quilômetros até o fim deste ano. Desde 2023, foram executados ou estão em fase final de conclusão 857 quilômetros de novas rodovias estaduais. Até 2030, a malha asfaltada poderá superar, pela primeira vez, a extensão de estradas estaduais sem pavimentação.
A transformação acompanha um momento de forte expansão econômica. A chegada de grandes investimentos privados, principalmente nas cadeias da celulose, citricultura e agroindústria, aumentou a demanda por corredores logísticos mais eficientes. “O nosso objetivo é preparar Mato Grosso do Sul com uma infraestrutura moderna, capaz de acompanhar o crescimento econômico e oferecer mais segurança para quem utiliza as rodovias”, afirma o governador Eduardo Riedel.
A política de investimentos ajudou Mato Grosso do Sul a alcançar reconhecimento nacional. Em levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Estado aparece entre os três melhores do país em qualidade das rodovias. Também figura entre os estados que mais investem recursos públicos em infraestrutura por habitante, cenário que contribuiu para atrair mais de R$ 81 bilhões em investimentos privados nos últimos anos.
Os efeitos da pavimentação vão além dos indicadores econômicos. Para milhares de moradores do interior, o asfalto representa o fim da poeira, da lama e das longas viagens em estradas precárias. Luzia Torres, moradora da região da MS-352, em Terenos, acompanhou a entrega dos 40 quilômetros asfaltados entre a BR-262 e a Ponte do Grego, obra que recebeu investimento estadual de R$ 86,5 milhões. “Nunca pensei que o asfalto chegaria aqui. Foi um sonho realizado para muita gente”, relata.
Situação semelhante ocorreu na MS-270, em Ponta Porã, onde a pavimentação de 35,5 quilômetros passou a integrar municípios do sudoeste do Estado. Morador do Assentamento Boa Vista, Josiel Custódio afirma que a melhoria valorizou propriedades, facilitou o transporte e reduziu o tempo de viagem. “Quem conheceu essa estrada antes sabe o quanto era difícil. Hoje a viagem ficou muito melhor”, disse.
Em Bonito, principal destino de ecoturismo do país, a pavimentação da Estrada do 21 criou uma nova ligação entre Bonito e Anastácio, reduzindo em até 40 quilômetros o percurso para quem sai de Campo Grande. Outra intervenção foi a Rodovia do Turismo, que asfaltou o acesso a atrativos às margens do Rio Formoso. Para o presidente do Sindicato Rural de Bonito, Leôncio de Souza Brito Neto, a infraestrutura rodoviária é determinante para o turismo e a produção agropecuária. “Sem estradas em boas condições nossos negócios ficam inviáveis”, afirmou.
Com recursos próprios, seguem em execução obras na MS-040, entre Santa Rita do Pardo e Brasilândia, novos acessos em Corumbá, intervenções na MS-377 e o anel viário de Bonito. Com financiamento do BNDES, avançam projetos em rodovias como MS-134, MS-244, MS-245, MS-289, MS-316, MS-320, MS-324, MS-347, MS-355, MS-380 e MS-444. O Estado também investe na recuperação de rodovias já existentes, incluindo as MS-436, MS-180, MS-156, MS-295, MS-276 e MS-377.
Paralelamente aos investimentos públicos, Mato Grosso do Sul aposta no modelo de concessão para acelerar a modernização da malha rodoviária. Entrou em vigor neste ano a concessão da Rota da Celulose. O contrato prevê R$ 10,1 bilhões em investimentos para obras e manutenção nas rodovias estaduais MS-040, MS-338 e MS-395, além das federais BR-262 e BR-267. Entre as melhorias previstas estão 115 quilômetros de duplicações, 245 quilômetros de terceiras faixas e 457 quilômetros de acostamentos. Segundo Eduardo Riedel, o modelo combina participação privada, tecnologia, segurança jurídica e mecanismos que permitem ampliar investimentos conforme o crescimento do tráfego.
