Moradores da região das Moreninhas, em Campo Grande, aprovaram a construção do Residencial Água Branca, que terá 1.264 casas populares, mas alertaram para a falta de infraestrutura pública. A audiência pública ocorreu na noite desta segunda-feira (15), na Escola Municipal José Mauro Messias da Silva. Lideranças comunitárias apoiaram o empreendimento, porém cobraram escolas e unidades de saúde para atender os futuros moradores.
O residencial faz parte do programa Minha Casa, Minha Vida e será erguido pela Pacaembu Construtora. A área total é de 457 mil metros quadrados, perto do Parque Jacques da Luz. A previsão é que as obras terminem em 2029. O projeto inclui casas térreas de 43,85 metros quadrados, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, em lotes de 200 metros quadrados. Também estão previstas unidades adaptadas para pessoas com deficiência.
Marta Lúcia da Silva Martinez, da M2 Urbanismo, apresentou o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV). Ela afirmou que a região tem estrutura urbana suficiente para receber o novo conjunto. “O bairro Moreninha se consolidou ao longo de 40 anos. Hoje tem comércio, serviços, bancos, universidade e um centro comercial. As pessoas podem morar aqui e ficar meses sem precisar ir para a cidade”, disse.
Segundo o estudo, o residencial deve receber mais de 3,2 mil moradores. Durante a construção, a expectativa é empregar inicialmente 80 trabalhadores, com pico de 350. Entre as medidas mitigadoras estão áreas de lazer, parquinhos, melhorias na sinalização de trânsito, adequações viárias e aumento de linhas de ônibus. A infraestrutura prevê redes de água e esgoto, drenagem, iluminação pública, pavimentação, arborização e calçadas. Quatro áreas públicas serão reservadas para equipamentos comunitários.
Valmir Lopes, presidente das associações das Moreninhas 1 e 2 e Nova Conquista 1 e 2, avaliou que o empreendimento pode transformar uma área degradada. “Há muitos anos é usada para descarte de lixo, uma área abandonada. Vai trazer melhorias para a população. Hoje a habitação é precária e isso vai auxiliar quem precisa de moradia”, afirmou. Ele, porém, disse que os serviços públicos não suportam a demanda. “Não temos vagas em creche nem nas escolas. As unidades de saúde também não vão comportar. Vai ter que trazer novas estruturas”, completou. Valmir sugeriu que a construtora faça parceria com a prefeitura para implantar uma unidade básica de saúde e uma escola.
Eduardo Menezes, presidente da Associação das Moreninhas 2 e 4 e conselheiro regional do Bandeira, considerou o projeto positivo, mas destacou preocupação com o trânsito. “Os dados são bonitos, mas a realidade não condiz com o que o município apresenta”, disse. O estudo calcula que o residencial pode acrescentar mais de 600 carros e 600 motocicletas ao bairro. Eduardo defendeu planejamento viário além do previsto. “Será preciso pensar em outra via de acesso para horários de pico com menos congestionamento”, afirmou. Ele também cobrou melhorias em acessibilidade para idosos e pessoas com deficiência.
