Uma dona de casa de 26 anos afirmou ter sido abordada pela mesma mulher suspeita de sequestrar uma bebê de 28 dias em Campo Grande. O caso teria ocorrido cerca de 20 dias antes do crime, em frente a uma unidade de saúde no Bairro Universitário.
Segundo a mãe, que preferiu não se identificar, Suzilaine da Graça Costa insistiu para que ela a acompanhasse até uma casa próxima à UPA (Unidade de Pronto Atendimento). A justificativa seria a doação de roupas de criança.
A dona de casa contou ao Campo Grande News que estava com a filha de 3 anos e o filho de 8 anos quando foi abordada. Ela reconheceu a suspeita depois de ver as notícias sobre a prisão pelo sequestro da recém-nascida em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
A suspeita teria chamado a mulher várias vezes para buscar as roupas. “Ela me chamou várias vezes para eu ir buscar umas roupas. Eu falei que não, falei que não”, contou.
Mesmo com as recusas, a mulher continuou insistindo. Em um momento, chegou a oferecer uma alternativa. “Se você quiser, eu ligo aqui para a minha amiga, ela vem pegar a gente aqui. Aí nós vamos lá e eu trago você de volta”, teria dito.
A mãe desconfiou da situação e recusou novamente. Na ocasião, a filha estava doente, com febre alta, e aguardava atendimento na unidade de saúde.
A suspeita também teria tentado se aproximar do filho de 8 anos. Ela teria segurado a mão do menino por duas ou três vezes e feito convites para que ele a acompanhasse. A mãe retirou a mão do filho e não permitiu a aproximação.
“Do nada, ela já falava com ele: ‘Ah, vamos ali com a tia comprar isso, comprar aquilo’. Aí eu falei: ‘Não, não vai, não. Eu não gosto de ninguém segurar na mão dele’”, relatou.
A dona de casa afirmou que a mulher também conversou com outra mãe no local. Segundo ela, a desconhecida interrompeu a conversa e deixou o local depois de ser chamada pela outra mulher.
A abordagem aconteceu na região da UPA Universitário. A dona de casa chegou a ser orientada a registrar a situação e tentar entrar na unidade de saúde com a suspeita para que as câmeras registrassem a presença das duas. A mulher, porém, se recusou a entrar na UPA.
Na época, a dona de casa não registrou boletim de ocorrência. Depois de reconhecer a suspeita nas notícias, tentou fazer a denúncia pela internet, mas não conseguiu concluir o procedimento por não saber utilizar a ferramenta.
O reconhecimento também foi feito pelo companheiro da mulher, que estava presente na abordagem. Ela afirmou ter identificado Suzilaine por uma marca no rosto.
“Quando eu vi a postagem, falei com o pai dos meus filhos: ‘Você está lembrado da mulher?’. Ele falou que lembrava. Então eu falei: ‘Essa dita mulher é a mesma mulher que pediu para ficar com minha filha’”, contou.
Depois de saber do sequestro, a mãe disse que passou a ter medo de sair de casa e de deixar os filhos sozinhos. Ela afirmou que a situação mexeu com seu psicológico e reforçou o alerta para que pais tenham atenção com pessoas desconhecidas que tentam se aproximar das crianças.
“Quando eu conheci, por isso que eu liguei para o 190, porque pensei: ‘Meu Deus, que livramento que Deus me deu […] É por isso que eu falo, não deixe seu filho ser abordado por ninguém’”, disse.
Caso recente
Uma bebê de 28 dias foi separada da família no dia 7, em Campo Grande. Segundo o boletim de ocorrência, a mãe da criança conheceu uma mulher pela internet durante a gestação. A mulher teria se aproximado da adolescente com a promessa de fazer um ensaio fotográfico da bebê e, depois, ofereceu R$ 100 para que a jovem cuidasse de outra criança.
A mãe da bebê e a irmã dela, de 13 anos, foram até uma casa ligada à mulher, no Bairro Universitário. Conforme o relato, as duas teriam sido amarradas e deixadas em uma área de mata, sem a bebê.
A família registrou o desaparecimento da criança, e a Polícia Civil iniciou as buscas. Com apoio de equipes especializadas e de forças de segurança da região de fronteira, Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa foram presos na madrugada de domingo, em uma casa em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A bebê estava com o casal.
Após o resgate, a menina foi encaminhada ao Hospital Regional para avaliação médica. O casal foi entregue à Polícia Federal.
Nesta terça-feira (11), a bebê chegou a Campo Grande e está sob os cuidados do Conselho Tutelar. Conforme apurado pelo Campo Grande News, ela está bem, sem sinais de maus-tratos, e sendo alimentada com fórmula. A criança permanecerá sob os cuidados da rede de proteção enquanto a Justiça analisa o caso e decide sobre a guarda.
