31/07/2026
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Indígena de 109 anos tira 1º RG sem sair da aldeia

Indígena de 109 anos tira 1º RG sem sair da aldeia

Um indígena de 109 anos conseguiu emitir, pela primeira vez na vida, a Carteira de Identidade Nacional. Cícero da Silva, morador da Aldeia Indígena Te’ýikue, em Caarapó, recebeu o documento nesta sexta-feira (31) sem precisar se deslocar até a cidade. Um posto de identificação foi instalado dentro da própria comunidade.

Considerado um dos moradores mais antigos da aldeia, Cícero foi um dos primeiros a ser atendido na nova unidade. O filho dele, o cacique Anísio da Silva, acompanhou a emissão do documento e classificou o momento como histórico para a família.

“Esse é o meu pai mais antigo que tem aqui na aldeia. Ele tem 109 anos e nasceu aqui. Hoje está conseguindo tirar a identidade dele pela primeira vez. Para ele é muito importante porque já não consegue mais andar. Agora o atendimento está dentro da aldeia e ele ficou muito alegre”, contou o cacique.

Anísio também lembrou as dificuldades que os moradores enfrentavam para conseguir um documento. “Antes o pessoal ia de bicicleta. Quando chovia, chegava atrasado e perdia o agendamento. Depois precisava remarcar e esperar mais 30 dias. O tempo ia passando e não tinha jeito. Agora o posto está aqui dentro da aldeia e o atendimento vai ser muito melhor para todos”, relatou.

A unidade em Te’ýikue é a primeira instalada em uma comunidade indígena de Mato Grosso do Sul e está entre as primeiras do país. O posto é fruto de uma parceria entre a Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) e a SED (Secretaria de Estado de Educação).

Expansão do serviço

O secretário-executivo de Segurança Pública, Wagner Ferreira da Silva, afirmou que a ação busca levar um direito básico a populações que sempre tiveram dificuldade de acesso aos serviços públicos. “Mato Grosso do Sul tem a terceira maior população indígena do país e é exatamente por isso que estamos levando esse serviço para locais de difícil acesso. A Carteira de Identidade Nacional é uma porta de entrada para a cidadania”, disse.

Segundo a Sejusp, a unidade será operada por indígenas da própria comunidade, que passarão por capacitação e atuarão sob supervisão do Instituto de Identificação da Polícia Científica.

Nesta semana, outro posto de identificação foi inaugurado no Distrito Nova Itamarati, em Ponta Porã. A unidade funciona na Escola Estadual Nova Itamarati, no assentamento que reúne cerca de 22 mil moradores. A prioridade será atender estudantes do ensino médio, facilitando a emissão do documento para ingresso no mercado de trabalho, participação no Enem e acesso ao ensino superior.

Mato Grosso do Sul tem 116.469 indígenas, a maioria em comunidades afastadas dos centros urbanos. A instalação de postos fixos nessas localidades busca reduzir a necessidade de deslocamento e ampliar o acesso à documentação civil. A Sejusp informou que, mesmo com agendamento pela internet, foram adotadas estratégias específicas para atender moradores sem acesso à rede.

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