A defesa de Mayke Joulson dos Anjos Campos e dos outros três envolvidos no ataque a tiros que matou um menino de 2 anos no Jardim Noroeste, em Campo Grande, afirmou nesta segunda-feira (18) que o crime não foi motivado por vingança nem teve planejamento prévio. A versão apresentada difere do que foi divulgado pela Polícia Civil.
Em entrevista por telefone, o advogado Jossandro Oliveira disse que o cliente apenas reagiu após uma confusão dentro da conveniência Prime 2, na madrugada de domingo (17). Segundo o defensor, Mayke estava no local acompanhado da esposa, Thayanne de Souza Lima, e das filhas adolescentes quando um homem teria mexido com a mulher dele e com as meninas, de 13 e 14 anos.
“Todos estavam bebendo na área interna. O rapaz que ele depois tenta efetuar o disparo mexe com a mulher do Mayke com as filhas dele. Eles entram em vias de fato e ele é retirado de dentro da casa”, afirmou.
Ainda conforme o advogado, o rapaz deixou a conveniência e voltou para casa antes de retornar armado ao comércio. A defesa sustenta que Thayanne foi atrás do marido para tentar evitar o ataque. “Ele volta para casa, pega a arma, que é uma .40, e vai em direção à conveniência. A esposa dele vai atrás para tentar impedir que ele fizesse alguma loucura ali”, declarou.
Jossandro afirmou ainda que o cliente pretendia atingir apenas o homem envolvido na confusão e alegou que a sequência de tiros ocorreu porque Mayke perdeu o controle da pistola. “Quando ele vê a pessoa ali na calçada, sentado do lado de fora, ele aponta a arma e tenta atirar em direção a ele. Só que ele não tem experiência nenhuma com arma. Quando dá o primeiro tiro, a arma dá aquele coice e ele continua segurando o gatilho”, disse.
Na sequência dos disparos, o menino de 2 anos foi atingido na cabeça enquanto estava no colo da mãe. A mulher também levou um tiro no tórax. Um adolescente de 16 anos foi baleado na cabeça e segue internado em estado grave. “Infelizmente, tinha criança ali. Foi uma fatalidade. Agora ele vai ter que responder por isso”, declarou o advogado.
A defesa também negou que o grupo tenha agido de forma organizada ou que tenha integrado qualquer associação criminosa. “Não houve premeditação, não houve quadrilha. São dois casais de amigos que foram beber numa conveniência. Infelizmente, juntando bebida, álcool e arma, tudo isso gerou essa consequência”, afirmou Jossandro.
O advogado disse ainda que Mayke é comerciante, não possui antecedentes criminais e mantém um comércio na residência onde mora. Após o crime, Mayke foi encontrado escondido na casa da sogra. No imóvel, policiais apreenderam uma pistola Taurus PT 140 Pro calibre .40, apontada pela investigação como a arma usada no ataque.
Thayanne confessou participação no caso e admitiu em depoimento que sabia que Mayke voltaria ao local para se vingar, segundo a Polícia Civil. Ela também confirmou que pilotava a motocicleta usada no atentado. Já Adriel e Gislaine, conforme a investigação, deram apoio logístico e ajudaram na fuga do grupo. A motocicleta usada no ataque foi encontrada escondida na casa do casal.
Os quatro suspeitos foram presos em flagrante por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e associação criminosa. Nesta segunda-feira, a Justiça converteu as prisões em preventivas durante audiência de custódia realizada no IPCG (Instituto Penal de Campo Grande).
A versão apresentada pela defesa diverge da investigação conduzida pela Polícia Civil. Conforme o auto de prisão em flagrante, Mayke e Thayanne deixaram a conveniência em uma Fiat Toro vermelha após a confusão. Em seguida, Adriel e Gislaine passaram pelo menos três vezes em frente ao comércio para monitorar quem permanecia no local. Depois, Mayke e Thayanne retornaram em uma motocicleta Honda Bros vermelha. Segundo a investigação, Mayke desceu da garupa e atirou várias vezes contra as pessoas que estavam na calçada da conveniência.
