19/06/2026
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Comunidade ajuda brigada e evita incêndios na Serra do Amolar

Comunidade ajuda brigada e evita incêndios na Serra do Amolar

A Brigada Alto Pantanal, mantida pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), divulgou um balanço das atividades do primeiro semestre de 2026. O relatório aponta 15 operações focadas na prevenção de incêndios no corredor de biodiversidade da Serra do Amolar, em Corumbá. Segundo o instituto, nenhum incêndio florestal precisou ser combatido no período.

O resultado é atribuído às ações preventivas realizadas nos últimos meses. Elas incluíram a abertura e manutenção de mais de 33 quilômetros de aceiros, limpeza de áreas estratégicas e atividades com comunidades ribeirinhas e escolas rurais. As ações ocorreram em reservas particulares, propriedades rurais e comunidades que fazem parte da Rede Amolar (Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar).

De acordo com o IHP, o trabalho foi reforçado em áreas habitadas por famílias pantaneiras. Em maio, a brigada atuou na região do Paraguai Mirim, onde vivem mais de 30 famílias. A equipe promoveu a limpeza e redução da vegetação ao redor da escola local para diminuir os riscos de propagação do fogo durante o período de estiagem.

A Brigada Alto Pantanal também participou de treinamento de manejo integrado do fogo em áreas atingidas por grandes incêndios nos anos de 2020 e 2024. O chefe da brigada, Manoel Garcia, disse que o objetivo é reduzir os riscos antes mesmo do início da temporada crítica. “Trabalhamos para buscar um resultado prático para a conservação e apoio a famílias do Pantanal. Quando limpamos uma trilha ou fazemos o manejo do fogo no momento correto, estamos salvando o bioma antes mesmo que a primeira faísca ameace subir”, afirmou.

O trabalho de prevenção ocorre em um cenário de preocupação com as condições climáticas previstas para o segundo semestre. Uma nota técnica do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) aponta mais de 80% de probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre agosto e outubro deste ano, com intensidade entre moderada e forte. Segundo o órgão, a região central do País poderá enfrentar ondas de calor mais frequentes e baixa umidade relativa do ar, condições que elevam o risco de incêndios florestais no Pantanal. O cenário lembra os anos de 2023 e 2024, quando a combinação de calor extremo e seca favoreceu a ocorrência de grandes queimadas no bioma.

Para manter as ações preventivas em uma das áreas mais remotas do Estado, a brigada conta com apoio logístico de embarcações, tratores e longos deslocamentos terrestres. As operações têm parceria de equipes do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais) do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), de brigadas comunitárias e da Marinha do Brasil. A brigada também recebe recursos de programas públicos e instituições privadas voltados à conservação ambiental.

Na Escola Municipal Rural de Educação Integral Paraguai Mirim e na Escola Municipal de Educação Integral Polo São Lourenço, localizada entre a Barra do São Lourenço e o Aterro do Binega, os brigadistas informaram que realizaram ações preventivas e de apoio à comunidade. Na unidade do São Lourenço, além da limpeza do entorno em parceria com brigadistas comunitários e equipes do Prevfogo, houve o conserto emergencial do forro do prédio e apoio à implantação de uma horta com sistema de irrigação.

As duas escolas atendem comunidades que somam aproximadamente 197 moradores, entre eles 65 crianças e adolescentes. O presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, afirmou que o trabalho vai além do combate direto às chamas. “Nessas regiões de atuação, são quase 200 pessoas que vivem em comunidades, com mais de 60 crianças que dependem dessas escolas rurais. Esse trabalho só é possível quando há o apoio das comunidades e de parceiros, como o Prevfogo e parceiros estratégicos”, disse.

Além da proteção das comunidades, a manutenção e construção de aceiros também favorecem a movimentação da fauna em situações de emergência. Monitoramentos realizados pelo IHP na Serra do Amolar identificaram ao menos 200 espécies de animais na região, incluindo dez classificadas em categorias mais severas de ameaça.