Começou na manhã desta sexta-feira (19) a incineração de pelo menos uma tonelada de medicamentos irregulares que estavam sendo enviados pelos Correios e foram apreendidos entre fevereiro e junho deste ano em Campo Grande.
Considerada inédita pela Vigilância Sanitária Estadual, a incineração ocorre no forno SanCristo, empresa especializada em coleta e tratamento de resíduos da área de saúde, na BR-463, em Dourados, a 251 km de Campo Grande.
Apreendidos no âmbito da Operação Visa Protege, pelo menos 20 mil produtos, incluindo canetas emagrecedoras, anabolizantes, hormônios e outros medicamentos contrabandeados, sem registro ou comercializados de forma irregular, foram trazidos para Dourados em um caminhão-baú, escoltado pela PRF (Polícia Rodoviária Federal). Após o descarregamento, os materiais começaram a ser colocados no forno para a destruição.
O trabalho é acompanhado por representantes da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da Secretaria Estadual de Saúde e da Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias). O valor estimado do material apreendido ultrapassa R$ 15 milhões.
Técnicos da área que supervisionam a incineração informaram que a carga destruída em Dourados inclui apenas itens apreendidos no Centro de Distribuição e Triagem na Capital, por onde passam todas as mercadorias despachadas pelos Correios em Mato Grosso do Sul. São produtos trazidos do Paraguai e comercializados através de vendas online.
Entre os carregamentos estão também medicamentos abortivos, vendidos livremente no comércio de Pedro Juan Caballero, principal centro de compras de produtos importados na linha internacional. A incineração em Dourados, a menos de 120 km do território paraguaio, é simbólica e serve para tentar conscientizar a população sobre os riscos desses medicamentos e para desestimular os atravessadores.
“A maior parte desses produtos seria destinada ao Nordeste do país, região onde os contrabandistas conseguem alcançar o maior valor agregado nessas mercadorias, de 3 a 5 vezes acima do praticado aqui na região de fronteira”, disse um técnico sanitário, que pediu para não ter o nome divulgado por não ter sido autorizado a dar entrevista.
Ao acompanhar o envio dos produtos para a incineração, em Campo Grande, o gerente de Apoio aos Municípios da Vigilância Sanitária Estadual, Matheus Pirolo, falou sobre a venda clandestina desses produtos, principalmente pela internet. “O grande problema sanitário hoje não está mais no comércio físico. O grande problema é o comércio clandestino, o que acontece atrás das telas, nas redes sociais e nos marketplaces”, afirmou.
Representante da Abrafarma, Serafim Branco disse que um dos principais problemas está nos marketplaces não regulamentados, onde o consumidor não tem garantias sobre a origem, o armazenamento e o transporte dos produtos. “Você não sabe de onde esse produto veio, qual foi a acomodação dele e ele acaba chegando ao consumidor. Muitas vezes não produz o efeito esperado e pode até causar problemas à saúde”, afirmou.
