Nos últimos três meses, a China não importou soja dos Estados Unidos, evidenciando os efeitos das tarifas impostas pelo ex-presidente norte-americano Donald Trump. Isso ocorre em um contexto de incertezas geradas pela guerra comercial entre os dois países.
Entre setembro e novembro, a China optou por fornecedores da América do Sul, preocupada com a possibilidade de escassez de insumos. De acordo com dados recentes da Administração Geral de Alfândegas da China, em novembro, as importações chinesas de soja dos Estados Unidos caíram para zero. No mês anterior, o volume era de 2,79 milhões de toneladas métricas.
Por outro lado, as importações de soja da Argentina aumentaram significativamente. O país sul-americano enviou 1,78 milhão de toneladas para a China em novembro, um crescimento de 633,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. No total, de janeiro a novembro, a China importou 6,24 milhões de toneladas de soja argentina, o que representa um aumento de 62,5%.
As compras de soja do Brasil também tiveram um avanço considerável. Houve um aumento de 48,5% em relação ao ano anterior, totalizando 5,85 milhões de toneladas apenas em novembro. Esse número representa 72% do total importado naquele mês. No acumulado até novembro, o Brasil exportou 76,7 milhões de toneladas de soja para a China, um crescimento de 7% em comparação com o mesmo período de 2024.
A China, que é o maior comprador mundial de soja, importou 8,11 milhões de toneladas em novembro e 103,79 milhões nos primeiros onze meses do ano. Esses números colocam o país em uma trajetória rumo a um recorde de importações anuais, impulsionadas principalmente pelas compras da América do Sul e por uma trégua comercial temporária com os Estados Unidos.
Por outro lado, as importações de soja dos Estados Unidos caíram 5,9% em relação ao ano anterior, com um total de 16,82 milhões de toneladas entre janeiro e novembro. A China voltou a comprar soja norte-americana após o anúncio da trégua comercial no final de outubro, mas os números ainda refletem uma significativa mudança nas fontes de suprimento.
