04/07/2026
Mundo das Notícias»Insights»Aula no Pantanal: bicudo no algodão e capivara na cana

Aula no Pantanal: bicudo no algodão e capivara na cana

Durante uma aula prática do Pantanal Tech, em Aquidauana, o professor Dr. Matheus Gustavo da Silva, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), mostrou os desafios da pesquisa agrícola na região. Com uma planta de algodão nas mãos, ele abriu o botão floral e revelou a marca deixada pelo bicudo, praga considerada a principal ameaça para os produtores de algodão no Brasil.

“Todo mundo que planta algodão no Brasil sabe que a principal praga é o bicudo”, explicou o professor. Segundo ele, o inseto se aloja nas brácteas e destrói a estrutura que formaria o capulho. “Ao invés de você ter um capulho bonito, tem isso aqui”, disse, apontando para o dano na planta.

O algodão passa cerca de 210 dias no campo e exige um manejo complexo, com controle de pragas, doenças e monitoramento do desenvolvimento. Matheus destacou que fatores como sombreamento, fisiologia e ecofisiologia também afetam a produção, podendo causar perda de botões florais.

Para os alunos, a experiência é uma aula prática sobre a realidade dos produtores. O professor afirma que os orientados saem preparados por acompanharem o trabalho de perto, em uma rotina que vai além da sala de aula. “Eu falo: vocês têm medo de sol? Têm sábado e domingo que não querem trabalhar? Se for esse o caso, comigo já não é o caso”, contou.

Além do algodão, o grupo trabalha com cana e soja. Em Aquidauana, no entanto, os maiores desafios nem sempre vêm do solo ou do clima. Matheus relatou que a cana plantada na área experimental sofreu ataque de capivaras. Os animais comeram parte das plantas, obrigando a equipe a nivelar a área para refazer o experimento. “A gente teve problema de ataque aqui de capivara. Elas comeram bastante”, disse.

Antas também causam prejuízos, entrando na lavoura e quebrando as plantas. “Aqui o principal problema é capivara e anta. A anta quebra, entra no meio e vai quebrando tudo”, afirmou o professor.

O milho é ainda mais complicado de manter. Segundo Matheus, tatus comem os grãos no plantio. Depois, capivaras, antas e veados atacam as plantas jovens. Na fase de formação da espiga, maritacas, papagaios e anus consomem os grãos. “Plantar a gente planta, só que aí o que acontece? Você tem tatu que come o milho quando põe o grão no solo”, explicou.

Por isso, o algodão se tornou uma escolha estratégica para os experimentos. Apesar do manejo complexo e da praga do bicudo, a cultura não atrai animais silvestres. “A gente plantou algodão justamente porque animal silvestre não vai comer algodão. Para a gente foi bom por essa perspectiva de conseguir conduzir um experimento do começo ao fim”, disse.

A soja, cultivada em áreas maiores de parceiros em Jaraguari, Dois Irmãos e Miranda, sofre menos impacto. Os animais podem atingir as bordaduras, mas os experimentos ficam no centro das lavouras, reduzindo as perdas.