A União Europeia retirou o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco. A medida foi publicada nesta terça-feira (12) pela Comissão Europeia e pode atingir frigoríficos e cadeias do agronegócio de Mato Grosso do Sul.
A partir de 3 de setembro de 2026, a entrada de carne bovina brasileira, aves, ovos, mel, peixes de cultivo e animais vivos destinados à produção de alimentos pode ser barrada. A justificativa dos europeus é que o Brasil não teria fornecido garantias suficientes sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária, como antibióticos e outras substâncias usadas para combater microrganismos.
Pelas regras da União Europeia, é proibido o uso desses compostos para acelerar o crescimento animal ou aumentar a produção, assim como medicamentos considerados estratégicos para tratamentos humanos. A decisão ocorre em meio à pressão de agricultores europeus, especialmente na França, contra o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O tema é um foco de desgaste do presidente francês Emmanuel Macron junto ao setor rural, que acusa os países sul-americanos de operar com regras sanitárias menos rígidas.
Embora a União Europeia não seja o principal destino da carne sul-mato-grossense, o bloco movimenta milhões de dólares nas exportações do Estado. Dados da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) mostram que os Países Baixos importaram US$ 10,4 milhões em produtos do setor neste ano, e a Itália, US$ 7,7 milhões em carnes bovinas congeladas desossadas. Espanha e Alemanha também estão entre os destinos de produtos do agronegócio estadual.
A carne bovina congelada desossada é um dos principais produtos exportados por Mato Grosso do Sul em 2026. O segmento movimentou mais de US$ 520 milhões neste ano, com crescimento superior a 52% em relação ao mesmo período do ano passado. A China continua sendo o principal mercado, com compras de mais de US$ 250 milhões em carnes bovinas congeladas do Estado. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com cerca de US$ 145 milhões.
A Comissão Europeia indicou que a situação pode mudar. A porta-voz para Saúde da União Europeia, Eva Hrncirova, afirmou que o bloco mantém diálogo com o governo brasileiro e que a autorização poderá ser retomada caso o Brasil comprove adequação às exigências sanitárias. Argentina, Colômbia e México aparecem na nova lista de países autorizados, enquanto o Brasil ficou de fora.
