13/06/2026
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Polícia descarta feminicídio e confirma morte por infarto em Campo Grande

Polícia descarta feminicídio e confirma morte por infarto em Campo Grande

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul descartou a hipótese de feminicídio na morte de Lucineia da Silva Terres, 39 anos. Ela foi encontrada sem vida em sua residência, no bairro Jardim Los Angeles, em Campo Grande, na sexta-feira (12). O namorado da mulher chegou a ser levado para a Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), mas foi liberado.

Inicialmente, a suspeita era de que Lucineia havia sido vítima de crime passional. A hipótese foi descartada após a inspeção do imóvel e o depoimento de testemunhas.

Segundo a delegada Elisângela Cristaldo, a residência não apresentava sinal de desalinho, luta ou desordem que sugerisse agressão física. O exame preliminar no corpo da vítima também não identificou marcas de violência, hematomas ou lesões defensivas.

“Não tinha nada de bagunça na casa, nada de marca no corpo, não tinha nada, nada. Ela já estava passando mal há um tempo. Foi uma fatalidade. O namorado mesmo falou que ela ‘deu um troço’ e aí todas as características que usaram apontavam para um infarto”, disse a delegada.

A investigação apurou que o companheiro agiu de imediato ao notar o mal-estar. Ele tentou fazer manobras de ressuscitação e acionou o socorro médico. O homem não tinha passagens pela polícia ou histórico de comportamento violento.

A filha da vítima, uma adolescente de 16 anos, prestou depoimento. Na residência, foram encontradas receitas de medicamentos controlados para depressão e ansiedade. A jovem afirmou que a mãe se queixava de episódios de “coração apertado” desde a semana retrasada. Ela chegou a procurar um posto de saúde, onde recebeu medicação, mas o quadro persistiu.

“Eu conversei com a filha de 16 anos depois. A gente também encontrou lá na casa umas receitas, ela estava com depressão. Na semana retrasada, ela estava já meio com o ‘coração apertado’. Ela achou que era ansiedade, foi no posto, pediu um medicamento depressivo e continuou assim”, afirmou Elisângela.

Na manhã da morte, o estado de saúde da mulher piorou. A filha contou que a mãe acordou indisposta e com fortes vômitos. Ela cogitou estar grávida e fez um teste, que deu negativo. Antes do colapso, ela ainda levou a filha a um curso e planejava voltar para descansar.

Ainda conforme a polícia, o namorado não era conhecido por toda a família porque a vítima estava em processo de divórcio de um relacionamento anterior, que durou seis anos e foi descrito como abusivo. Ela preferia manter o novo companheiro em segredo. A adolescente, porém, sabia da existência do namorado e disse que ele dava apoio constante, inclusive financeiro, à mãe. O depoimento do homem coincidiu com o da jovem e com a cronologia do colapso da vítima.

Diante dos laudos periciais, da ausência de vestígios criminais e do histórico de saúde confirmado por familiares, a polícia concluiu o caso como morte natural, encerrando as suspeitas de crime no âmbito doméstico.