O ator Paulo Betti abriu a 10ª edição da FLIB (Feira Literária de Bonito) nesta terça-feira (8) e relembrou a infância humilde em que lia para a mãe, que era analfabeta. Em entrevista coletiva, ele contou que o hábito da leitura começou cedo e mudou sua vida.
“Minha família não sabia ler. Minha mãe não sabia ler. Meu pai sabia mal assinar o nome. Talvez por isso mesmo eu tenha me dedicado tanto à leitura. Minha mãe incentivava muito que eu lesse, porque eu era praticamente o leitor dela. Eu lia a Bíblia, promessas e tudo o que ela precisava”, disse o ator.
Segundo Betti, ele sempre foi um “anotador”, registrando ideias e lembranças em cadernos. Essas anotações deram origem ao monólogo Autobiografia Autorizada, que ele apresentou na FLIB e que depois virou livro.
Durante a conversa, o ator defendeu a importância das feiras literárias. “Uma feira literária é um incentivo ao livro. Acho que livro, teatro e cultura são coisas necessárias. Vivemos em um país onde uma parte das pessoas ainda acha que cultura é supérflua”, afirmou.
Ele admitiu que hoje passa muito tempo na internet, mas tenta retomar o hábito da leitura. “Confesso que ultimamente tenho lido menos porque estou muito envolvido com internet, Facebook e Instagram. Mas estou tentando me policiar para voltar a ler mais.”
Paulo Betti contou que já conhecia Bonito e que voltou por gostar da cidade. “O lugar que todo mundo deseja conhecer. As pessoas não apenas aceitam vir para Bonito, elas querem vir”, brincou.
O ator também prestou homenagem ao dramaturgo Benedito Ruy Barbosa, que morreu nesta terça-feira aos 95 anos. “É um grande autor que levou temas como o Pantanal para a televisão. Levou o homem do campo, o linguajar caipira, para as novelas”, destacou.
A 10ª edição da FLIB segue até domingo (13), com programação gratuita na Praça da Liberdade, em Bonito. O evento reúne escritores, oficinas, lançamentos de livros, apresentações culturais e shows.
