05/08/2026
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Pai de menino retido após amigo ser queimado: ‘Estou arrasado

Pai de menino retido após amigo ser queimado: 'Estou arrasado

O pai de um menino de 12 anos, retido na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, em Campo Grande, disse estar arrasado após o filho se envolver em um acidente que deixou um amigo, de 11 anos, com 80% do corpo queimado. O caso ocorreu no Bairro Vila Popular e a vítima está internada em estado grave, intubada na UTI.

Visivelmente abalado e sem dormir, o trabalhador de 34 anos afirmou que não sabe por que o filho foi retido. Ele disse que se preocupa mais com o menino internado. “A gente nunca espera. Agora estou arrasado e me preocupo mais com o menino que está internado, porque ele ainda é uma criança. Se nós, adultos, já não suportamos uma dor dessa, imagina uma criança. Fico pensando na mãe dele também”, lamentou.

O pai é divorciado da mãe do garoto. Segundo ele, o filho estuda pela manhã e, à tarde, fica sob os cuidados de uma babá, que também cuida dos irmãos menores. O homem contou que só soube do ocorrido depois que um vizinho ligou avisando sobre a presença de quatro viaturas da Polícia Militar em sua porta.

Versões do acidente

De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada para a UPA Santa Mônica, para onde o menino foi levado por uma vizinha. Antes de ser intubado, a vítima disse à assistente social que estava na casa do amigo e que, após uma discussão, o colega teria ateado fogo em seu corpo. No entanto, o garoto de 12 anos, encontrado sozinho em casa, apresentou outra versão. Ele afirmou que a ideia de brincar com combustível foi do amigo e que chegou a alertá-lo sobre o perigo.

O menino pegou um galão de 5 litros de álcool no armário da cozinha e os dois foram para o quintal “riscar pedra”. Enquanto a vítima segurava a pedra, o colega despejava o líquido e usou um isqueiro. As chamas atingiram o galão, causando uma explosão que projetou o líquido em chamas contra o corpo da vítima.

Em pânico, o garoto tentou ajudar o amigo. A vítima correu para o banheiro e ligou o chuveiro, mas o fogo não apagou e a água do poço artesiano acabou. Os dois foram para a cozinha, onde o amigo jogou vasilhas de água sobre o corpo da vítima até apagar as chamas. O menino trocou de roupa e ficou deitado por cerca de 30 minutos antes de sair à rua para pedir socorro. Coletores de lixo viram o estado da criança e mobilizaram vizinhos, que acionaram um transporte por aplicativo para levá-lo à unidade de saúde.

A polícia registrou o caso como abandono de incapaz com resultado de lesão corporal de natureza grave e lesão corporal culposa. Como o Conselho Tutelar não tinha conselheiro disponível para ir ao local, os policiais levaram o menino até o trabalho da mãe e contataram o pai por telefone. O pai disse que ainda procura assistência jurídica para acompanhar o filho na audiência. O caso será analisado pela Vara da Infância e da Juventude, que vai definir as medidas socioeducativas ou de proteção.

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