13/05/2026
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Médicos rejeitam consulta psiquiátrica de 20 minutos

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed-MS) enviou um pedido à Prefeitura de Campo Grande para suspender as mudanças propostas pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) que aumentam o número de atendimentos em saúde mental na rede municipal. A medida foi encaminhada nesta terça-feira (12).

Segundo a categoria, caso a proposta seja implementada, cada consulta psiquiátrica teria duração média de 20 minutos. Os profissionais consideram esse tempo inviável para a atenção necessária aos pacientes.

A proposta da prefeitura prevê ampliar para 18 os atendimentos psiquiátricos em plantões de seis horas. O sindicato informou que foi contra essa medida. Durante a reunião, foi apresentada uma alternativa de 12 consultas por plantão, com a possibilidade de dois encaixes. A categoria aguarda retorno do município sobre essa contraproposta.

O presidente do Sinmed-MS, Marcelo Santana, afirmou que houve reunião com representantes da prefeitura para discutir o tema. Após assembleia com médicos da área, realizada na noite de segunda-feira (11), os profissionais rejeitaram as duas alterações. O sindicato decidiu então pedir a suspensão das mudanças por 30 dias para abrir negociação.

Segundo o sindicato, os atendimentos na área de saúde mental atualmente seguem metas quali-quantitativas definidas por lei municipal. A categoria alega que o novo modelo praticamente dobraria o volume de consultas exigidas dos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Os médicos que seriam impactados pela medida atuam em serviços da rede municipal voltados à saúde mental. Conforme o sindicato, eles trabalham em equipes coordenadas por psiquiatras, seguindo diretrizes nacionais.

“A saúde mental é uma especialidade extremamente grave, que foi negligenciada ao longo do tempo e que precisa evoluir muito, porque depois que a tragédia acontece, com o aumento do número de desfechos fatais com pacientes, a gente perdeu tempo de conseguir mudar alguma coisa. É um assunto muito delicado que não pode ser tratado apenas como números pelo gestor, tem que ser tratado de uma forma séria e de conhecimento técnico”, afirmou Marcelo Santana.

A prefeitura informou em nota que não houve mudança nos atendimentos. Após o diálogo com o sindicato, a agenda será mantida conforme já vinha sendo realizada nas unidades.

“A medida visa garantir a organização dos fluxos assistenciais, a conformidade administrativa, a segurança jurídica dos profissionais e a eficiência da gestão pública, assegurando que os atendimentos à população nos Caps (Centros de Atendimento Psicossociais) e no Ambulatório de Saúde Mental ocorram dentro dos marcos legais e assistenciais estabelecidos”, informou a prefeitura em nota.