Uma adolescente de 17 anos, mãe da recém-nascida Ayla Emanuelly Pereira de Souza, de 28 dias, afirmou que foi vítima de uma emboscada antes do desaparecimento da filha. O caso aconteceu na tarde de quinta-feira (6), em Campo Grande. Segundo a jovem, ela foi atraída até uma casa com a promessa de receber R$ 100 para cuidar de outro bebê.
A família viu Ayla pela última vez por volta do meio-dia de quinta-feira. O boletim de ocorrência foi registrado às 5h55 de sexta-feira (7). Na manhã deste sábado (8), o Campo Grande News esteve na casa da família, mas ninguém quis conversar com a reportagem. Familiares disseram que a polícia orientou que não concedessem entrevistas para não atrapalhar as investigações.
Na noite de sexta-feira, a mãe de Ayla conversou com a equipe de reportagem na porta da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente). Ela contou que o contato com a suspeita começou por indicação de uma amiga de sua irmã. A mulher participava de um grupo de doação de roupas infantis e chegou a levar peças para Ayla.
Na quinta-feira, a mulher ofereceu R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela por algumas horas. A mãe aceitou e foi ao endereço acompanhada da irmã, de 12 anos, levando Ayla. No local, a mulher teria oferecido um copo de água e depois chamado a adolescente para conhecer uma construção nos fundos.
Segundo a jovem, ao entrar no local, encontrou um homem esperando atrás da porta. Ele teria tentado fazê-la perder a consciência e depois a amarrado, mantendo-a em um banheiro. A irmã de 12 anos também teria sido rendida e levada para um quarto. Ayla permaneceu inicialmente com a garota.
A mãe disse que, ao recuperar a consciência, perguntou à mulher o que estava acontecendo e ouviu que ela queria ficar com a recém-nascida. A adolescente contou ainda que os envolvidos usaram álcool para tentar fazê-la desmaiar. A ameaça contra a vida dela teria ocorrido somente quando já estava refém no imóvel.
A mãe e a avó da adolescente chegaram a recomendar que ela não levasse Ayla ao encontro. Mesmo assim, a jovem saiu com a recém-nascida e a irmã.
Investigação – O relato da mãe é uma das versões apresentadas desde o início do caso. As circunstâncias exatas do desaparecimento ainda são investigadas pela Polícia Civil. No atendimento inicial, as adolescentes relataram que foram mantidas contra a vontade em um imóvel e depois deixadas sem a criança. O endereço indicado por elas não foi localizado inicialmente.
Ao longo de sexta-feira, familiares foram ouvidos na DEPCA. A polícia não divulgou uma reconstrução completa da dinâmica até agora. Ayla passou a ser procurada pelo Alerta Amber Brasil, sistema do Ministério da Justiça para casos de desaparecimento de crianças e adolescentes de alto risco.
Na manhã deste sábado, já se passaram cerca de 46 horas desde o último momento em que a família viu Ayla. A bebê ainda não foi localizada. Antes de ser orientada a não falar com a imprensa, a mãe disse acreditar que a filha continua viva e está por perto. “Eu só quero que a minha filha apareça, porque nós estamos muito desesperados, atrás dela. Espero que encontremos ela. Eu sinto que ela está perto, que eu vou encontrar ela. Eu sinto isso.”
