17/07/2026
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Joesley exige valor bilionário por mina à Vale

Vazamentos de e-mails revelaram uma visita secreta de conselheiros da Vale a uma mina da J&F e um jantar entre a diretoria da mineradora e os donos da empresa de Joesley Batista. Quatro anos após comprar o empreendimento, o empresário quer vendê-lo de volta à Vale, apesar da avaliação interna de que o negócio não compensa.

Depois que a visita foi revelada em um e-mail confidencial, a Vale negou que vá comprar a mina de volta. A J&F também negou a tentativa de venda, embora ambas tenham confirmado a visita dos executivos e a contratação do Citi para vender uma participação acionária em Corumbá (MS).

Nos bastidores, fontes da Vale confirmam a tentativa de Joesley e apontam o valor pretendido. O dono da J&F queria repassar a mina, comprada por US$ 1,2 bilhão em 2022, por US$ 4 bilhões. Também foi discutida a venda de uma participação acionária menor, em uma joint venture, por US$ 2 bilhões.

O negócio não foi adiante porque foi considerado ruim pela diretoria da mineradora. O comitê executivo entendeu que a taxa de retorno da mina não compensa o investimento. O CEO Gustavo Pimenta, que rejeitou a compra em 2026, foi quem a vendeu em 2022 quando era CFO.

No começo de maio, o então chairman da Vale, Daniel Stieler, jantou com os irmãos Batista no Rio de Janeiro, acompanhado dos conselheiros Manoel Lino Oliveira (Ollie), Wilfred Theodoor Bruijn, Reinaldo Castanheira e Heloisa Bedicks, além de Pimenta e do diretor Fabio Ferraz. No dia seguinte, parte do grupo foi de jato particular para as minas do Sistema Centro-Oeste.

O conselheiro Ollie, candidato da Previ à presidência do conselho, contou em um e-mail que estava cético com o negócio, mas a visita a Corumbá mudou sua percepção. Ele destacou o “empreendedorismo fora do normal” e o “apetite para riscos muito além de nós” dos irmãos Batista.

A Vale vive uma crise interna desde que a Previ destituiu Daniel Stieler e anunciou sua substituição por Ollie. A escolha final será sacramentada em 22 de julho.

A J&F reiterou que a controladora do Sistema Centro-Oeste, a LHG Mining, “não está à venda”. A holding disse que buscou o Citi para “conduzir um processo competitivo organizado, voltado a uma eventual participação minoritária na empresa”. A J&F afirmou ter recebido a comitiva da Vale “a pedido” da empresa, mas descartou ter a mineradora como sócia por ser uma concorrente nacional direta.