domingo, 11 de janeiro de 2026
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Inflação na China alcança maior nível em quase 3 anos

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[email protected] EM 10 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 07:23

A inflação na China atingiu em dezembro o maior nível em quase três anos, com um aumento anual de 0,8%. Essa informação foi divulgada em um relatório recente. O crescimento da inflação em novembro havia sido de 0,7%, alinhando-se às previsões do mercado, mas ainda abaixo da meta oficial de cerca de 2%. Na comparação mensal, os preços ao consumidor subiram 0,2%, após uma queda de 0,1% no mês anterior.

A alta da inflação foi impulsionada, principalmente, pelo aumento dos preços dos alimentos. Em dezembro, os vegetais frescos tiveram um aumento de 18,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, enquanto a carne bovina subiu 6,9%, de acordo com o Escritório Nacional de Estatísticas. O período anterior ao Ano Novo Lunar gerou um aumento da demanda, e algumas políticas de incentivo ao consumo também influenciaram os preços. Mesmo assim, a alta nos preços não se espalhou por toda a cesta de consumo, limitando o impacto sobre a inflação geral.

Enquanto os consumidores sentem o peso da alta nos preços, a situação da indústria é diferente. O índice de preços ao produtor (IPP) caiu 1,9% em comparação ao ano anterior, mantendo-se em um patamar negativo por mais de três anos. No entanto, essa queda foi menos intensa do que a observada em novembro, quando o índice recuou 2,2%. Esse desempenho reflete a alta dos preços das commodities, especialmente de metais não ferrosos, além das políticas de controle da capacidade produtiva. Em 2025, a queda acumulada nos preços ao produtor foi de 2,6%, sinalizando um cenário de deflação industrial.

Analistas destacam que a situação atual da inflação na China abre espaço para novos estímulos econômicos. De acordo com Lynn Song, economista-chefe do ING para a Grande China, os preços baixos não devem impedir um afrouxamento da política monetária ao longo deste ano. Essa avaliação é reforçada pela demanda interna fraca e pela crise imobiliária que se arrasta. Além disso, riscos externos, como a guerra comercial com os Estados Unidos, tornam a situação mais delicada. Apesar de um crescimento próximo da meta de 5% para 2025, sustentado por estímulos e exportações, essa expansão ainda é considerada desigual.

De modo geral, a inflação na China representa um desafio estrutural, com o país precisando incentivar o consumo ao mesmo tempo em que evita amplos desequilíbrios, em um ambiente onde a confiança dos consumidores e a indústria enfrentam pressões deflacionárias.

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