31/05/2026
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Indígenas negam invasão e reivindicam direitos em Campo Grande

Cerca de 50 indígenas que foram vistos tentando entrar na chácara Água Bonita, na manhã deste domingo (31), no Bairro Tarsila do Amaral, em Campo Grande, deixaram o local após negociação com as forças de segurança. A ocorrência, inicialmente registrada como tentativa de invasão, terminou sem agravamento.

A liderança Suzy Guarani, que se apresentou como representante da comissão do grupo, afirmou que a ação não se tratava de invasão, mas de uma reivindicação por moradia e por direitos sobre a área. “Não é uma ocupação, é a retomada dos nossos direitos, de onde nós queremos que nossos filhos vivam, que nossos netos vivam, porque todos que estão aqui não têm onde morar. Não têm mais como pagar aluguel. As famílias são vulneráveis. As comunidades indígenas de Campo Grande são vulneráveis e precisam de moradia digna”, declarou.

Segundo Suzy, o grupo reivindica o território com base em documentos ligados à Associação Kaguateca Marçal de Souza. Ela afirmou ainda que a área teria relação histórica com a liderança Marta Guarani. “Nós somos abandonados. Os nossos direitos são abandonados tanto pelo governo do Estado quanto pelo município. Há anos a gente está cuidando disso aqui e hoje resolvemos resgatar o que é nosso”, disse.

Ainda conforme a liderança, os indígenas tentaram uma entrada pacífica no local e alegam ter documentação sobre a área. O responsável pelo imóvel também apresentou documentos às equipes de segurança. Nenhuma das partes, porém, apresentou decisão judicial que autorizasse imissão na posse, reintegração de posse ou qualquer determinação direta sobre a área.

Questionada sobre o que ficou decidido após a conversa no local, Suzy afirmou que o grupo vai formalizar a reivindicação e procurar os órgãos competentes. “Ficou decidido que vamos fazer o documento. Como falamos, não queremos conflito com ele. Como vocês podem ver aqui, falaram que nós estávamos armados, mas o pessoal só estava com facão para marcar os terrenos e colocar as estacas. Flecha não é arma. Maracá não é arma. A gente veio em paz para resgatar o que é nosso. A gente não tem arma. A nossa arma é o nosso documento e os nossos direitos”, afirmou.

De acordo com o tenente Falcão, da Polícia Militar, a equipe foi acionada após a informação de que indígenas tentavam entrar em uma propriedade ocupada por outro cidadão. Ao chegar ao local, os policiais conversaram com o responsável pela área e com a liderança indígena. O policial explicou que os documentos apresentados não tinham força de decisão judicial. Segundo ele, a equipe orientou o grupo a procurar a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) para que o caso seja encaminhado pela via adequada.

Após conversarem entre si, os indígenas se comprometeram a deixar o local e procurar a Funai nesta segunda-feira (1º). O tenente também explicou que, caso exista uma decisão judicial reconhecendo o direito reivindicado, não seria necessário manter todo o grupo na área. Bastaria a presença de representantes para que a decisão fosse comunicada com apoio das forças de segurança.

Ainda conforme a PM, a equipe não tinha legitimidade para definir a quem pertence a área. Por isso, as partes foram orientadas e o impasse foi encerrado no diálogo. Além da PM, equipes da GCM (Guarda Civil Metropolitana) e do GOI (Grupo de Operações e Investigações) estiveram no local. O responsável pela área foi à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol para registrar a ocorrência. A documentação mencionada pelos indígenas não seria uma decisão judicial, mas um estudo da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural) sobre a área.