25/06/2026
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Fim de programa noturno ameaça acesso à saúde no interior de MS

Fim de programa noturno ameaça acesso à saúde no interior de MS

O programa Horário Estendido, da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul (SES), será encerrado na próxima quarta-feira, dia 1º de outubro, quando completa um ano de funcionamento. O programa repassava R$ 20 mil mensais às prefeituras para manter unidades de saúde abertas até as 21h.

Ao todo, 46 unidades participavam da iniciativa, com um custo mensal de R$ 920 mil e gasto anual de cerca de R$ 11 milhões. Quatro dessas unidades estão na capital, Campo Grande, e as demais no interior do estado.

Na quarta-feira, dia 24, o Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems) se posicionou a favor da continuidade do programa. O objetivo era evitar prejuízos, especialmente para os municípios menores, que contam com apenas uma unidade de saúde pública.

O presidente do Cosems e secretário municipal de Saúde de Iguatemi, Janssen Portela Galhardo, avaliou que os moradores de cidades com menos de 20 mil habitantes serão os mais afetados. Essas localidades, segundo ele, têm trabalhadores concentrados na área rural.

“É um programa excelente, permite um olhar diferenciado ao trabalhador, principalmente o que trabalha o dia todo no campo”, afirmou Galhardo. Ele destacou que o foco do programa era a prevenção na Atenção Primária à Saúde (APS).

Em alguns casos, a Unidade de Saúde da Família (USF) é o único serviço de saúde pública disponível nos municípios e ficava aberta à noite. Com o fim do programa, o acesso a profissionais de saúde no período noturno poderá ser feito apenas em cidades vizinhas. “Aí o morador vai precisar ir até o município de referência da região onde ele vive”, completou.

Galhardo informou que o Cosems pediu formalmente à SES a prorrogação do programa, mas o pedido foi negado. O motivo, segundo ele, foi o período eleitoral e a necessidade de contenção de gastos do estado.

O secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou que a continuidade dos repasses ainda está em estudo. “Ainda não temos definição qual conduta adotaremos. Estamos estudando os impactos para a tomada de decisão”, declarou.

Questionado sobre a possibilidade de as prefeituras bancarem o custo de R$ 20 mil mensais para manter o horário ampliado, o presidente do Cosems disse que não seria viável. “Os municípios estão assoberbados, já assumem cerca de 70% dos custos da APS”, concluiu.