25/06/2026
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Dólar sobe, Wall Street recorde: risco de ficar 100% Brasil

O mercado acionário dos Estados Unidos vem renovando máximas desde o final de 2023, impulsionado pelo crescimento dos lucros corporativos, investimentos em inteligência artificial e uma economia resiliente. A tendência se manteve em 2026, mas o dólar, que perdia força frente ao real, passou a se valorizar a partir de maio. Com isso, surge a dúvida: ainda vale a pena investir em dólar nas bolsas americanas?

Para Luciano Boudjoukian França, sócio-fundador e gestor da Paramis Avantgarde Asset, a preocupação do investidor brasileiro não deveria ser acertar o câmbio. “Essa é uma alocação estratégica, não é trade de câmbio”, afirma. Com o dólar perto de R$ 5,20, ele sugere uma “entrada parcelada” para quem tem pouca exposição global. “Faz sentido começar mesmo com dólar alto, porque o risco maior é ficar 100% dependente de Brasil”, diz.

Os instrumentos para investir no exterior são variados. Por meio de ETFs negociados na B3, como o IVVB11 e o NASD11, o investidor acompanha índices como o S&P 500 e o Nasdaq-100. Este último já rende quase 10% em real em 2026. França alerta que o Nasdaq não substitui uma carteira global, sendo uma aposta mais concentrada em tecnologia.

Ian Caó, diretor de Investimentos da Gama Investimentos, destaca que as empresas de tecnologia puxam o crescimento americano. O índice Philadelphia Semiconductor subiu mais de 70% no ano. No entanto, o cenário de inflação pressionada e juros altos nos EUA, entre 3,50% e 3,75%, torna o momento desafiador. “É sempre difícil apontar picos de mercado”, completa.

Risco da concentração no Brasil

Guilherme Zanin, analista CFA e professor na Eu Me Banco, aponta que o maior risco do brasileiro não está no dólar ou no Federal Reserve. “Maior risco é achar normal ter mais de 90% do patrimônio em Brasil”, diz. Ele cita um estudo da XP Investimentos mostrando que, em dez anos, quem manteve tudo no Brasil teve menor retorno e maior volatilidade.

Rodolfo Marinho, da IP Capital, acredita que o rali não é uniforme. Ele observa que o dinheiro novo está indo para setores como semicondutores e data centers, criando distorções. Empresas como Mastercard caíram 15% no ano, mesmo com lucro subindo 15%. “Para quem faz stock picking, 2026 oferece uma janela atípica”, afirma.

A mesma lógica vale para outras regiões. Embora os EUA concentrem os principais ativos de tecnologia, Europa e China podem oferecer oportunidades. Luciano França vê a Europa como alternativa para diversificação em setores como bancos e energia. Maurício Garret, do Inter, enxerga oportunidades na China, ligadas à infraestrutura para IA.

Para os próximos meses, o investidor deve ficar atento à inflação americana, que atingiu 4,2% em maio, e à resposta do Fed. O juro de dez anos e o prêmio fiscal do país também são variáveis importantes. As empresas de tecnologia são sensíveis a essa curva, e o rali só se sustenta com revisões positivas de lucros.