15/05/2026
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Contrato de tapa-buraco sobe de R$ 4 mi para R$ 23 mi

Um contrato de tapa-buraco que começou com o valor de R$ 4,2 milhões e chegou a uma despesa superior a R$ 20 milhões, com acréscimos por aditivos, é um dos principais alvos da investigação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul).

Segundo a investigação, no Processo nº281/2022, a empresa Construtora Rial Ltda foi a vencedora. O contrato inicial previa a recomposição da pavimentação na Região do Segredo, Lote 007, com valor fixado em R$ 4.288.013,74. Com os aditivos, o montante total chegou a R$ 21.355.970,06.

Na terça-feira, dia 12, a Operação Buraco Sem Fim prendeu o ex-titular da Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), Rudi Fiorese, que assinou o primeiro contrato em 2022, além de dois representantes da Construtora Rial. Foram presos Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, sócio-administrador da empresa, e seu pai Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, conhecido como “Peteca”. Para o Gecoc, Antônio Roberto é o verdadeiro tomador de decisões, agindo como sócio oculto, enquanto a empresa está formalmente em nome do filho e da esposa.

Dos R$ 429 mil em espécie apreendidos na operação, mais da metade estava na casa de Antônio Roberto. Outros maços de dinheiro foram encontrados na residência de Rudi Fiorese.

O Portal da Transparência da Prefeitura de Campo Grande, consultado na quinta-feira, dia 14, aponta um valor final do contrato ainda maior: R$ 23.630.404,98, sendo R$ 19.342.391,24 em aditivos. O contrato foi assinado em 1º de julho de 2022 para manutenção de pavimento asfáltico na Região Urbana do Segredo, que inclui bairros como Vila Nasser, Nova Lima, Seminário, Coronel Antonino, Monte Castelo, Vida Nova, Coophasul e Jardim Presidente. O prazo inicial era de 12 meses.

Ao longo dos anos, os aditivos foram assinados por outros dois secretários que passaram pela Sisep. O contrato foi prorrogado até julho de 2026 e, em fevereiro deste ano, foi reajustado em mais R$ 1.073.328,93, com base em índices setoriais. Os recursos são de aplicação direta da prefeitura, multas de trânsito e dinheiro vinculado ao trânsito.

O vereador Marquinhos Trad (PV), ex-prefeito de Campo Grande, afirmou que a Rial nunca prestou serviços de tapa-buraco em sua gestão. A Sisep informou que acompanha os trabalhos do Gecoc e que servidores investigados foram exonerados. A defesa de Rudi Fiorese, feita pelo advogado Werther Sibut de Araújo, prepara um pedido de habeas corpus e afirma que a operação não traz novidades em relação à investigação anterior, a Operação Cascalho de Areia, de 2023. A reportagem não conseguiu contato com a defesa dos empresários presos.