A influenciadora Gisele Mendonza, de 39 anos, viu seu sonho se transformar em projeto coletivo. Mãe de Carlinhos, um menino que nasceu prematuro com apenas cinco meses de gestação, ela encontrou nas aulas de Capoeira Inclusiva um espaço de acolhimento para o filho. Hoje, à frente do projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, Gisele quer que outras famílias tenham a mesma experiência.
Carlinhos enfrentou uma série de desafios desde o nascimento. Ele tem deficiência visual, perda total da visão de um dos olhos, baixa visão no outro, microcefalia e atraso global no desenvolvimento. A rotina da família passou a ser marcada por consultas, terapias e a busca por oportunidades que ajudassem no desenvolvimento do menino. Foi nessa caminhada que a capoeira surgiu.
As aulas são conduzidas pelo professor, neuropsicopedagogo e capoeirista Josimar Araújo, de 49 anos, conhecido como Professor Vermelho. Segundo ele, a Capoeira Inclusiva não é uma adaptação da modalidade tradicional. “A capoeira já é inclusiva por natureza. Ela permite que cada um participe da sua maneira, seja pelo movimento, pela música, pelo ritmo, pelo toque, pela interação ou pelo afeto. O nosso trabalho é descobrir a potencialidade de cada pessoa e, a partir dela, criar caminhos para que ela avance”, explica.
Há quase três décadas trabalhando com pessoas com deficiência, o professor desenvolveu uma metodologia própria que une conhecimentos da capoeira, neuropsicopedagogia, psicomotricidade e educação inclusiva. Antes de ensinar qualquer movimento, ele procura criar vínculo. “Antes da capoeira, eu preciso encontrar um caminho para tocar essa pessoa. Quando ela se sente respeitada, acolhida e segura, ela começa a mostrar quem realmente é. A partir daí, ela desenvolve autonomia, confiança e participação.”
Durante as aulas, Carlinhos canta, sorri, participa da roda, experimenta movimentos e interage com o professor. Pequenas conquistas que representam grandes vitórias para a família. Para o professor, o objetivo nunca foi ensinar apenas golpes ou movimentos. “Eu quero que a criança participe. Não faço por ela. Caminho junto. Se ela pode levantar um braço, nós celebramos. Se consegue cantar uma palavra, nós comemoramos. O resultado mais bonito é quando ela percebe que é capaz.”
Gisele resume o sentimento ao ver o filho na roda de capoeira. “Depois de tantos desafios, tantas lágrimas e tantas incertezas, ver o Carlinhos sendo simplesmente uma criança… brincando, aprendendo e sorrindo, não tem preço. A capoeira inclusiva não muda só a vida das crianças, ela cura um pedacinho do coração de cada mãe que, por muito tempo, só sonhou em ver o seu filho sendo aceito. Hoje eu não vejo apenas inclusão. Eu vejo amor em movimento.”
A avó de Carlinhos, a influenciadora Vera Lúcia Mendonza Veiga, também acompanha as aulas de perto. “É uma felicidade imensa ver o sorriso dele, o encantamento e o aprendizado dele a cada aula. O projeto é lindo. Espero que mais crianças tenham acesso.”
O desejo de Gisele é que mais mães vivam esse sentimento. “Meu sonho é que outras mães possam viver esse sentimento que eu vivi. Que mais crianças encontrem um lugar onde sejam acolhidas exatamente como são.”
Para conhecer o projeto “Carlinhos e as Super Mães Atípicas”, apoiar a iniciativa ou apadrinhar uma criança, o contato pode ser feito com Gisele Mendonza pelo WhatsApp (67) 99248-9925. As ações do projeto e conteúdos voltados às mães atípicas são divulgados nos perfis @mendonzagisele e @vera.e_gii no Instagram. Informações sobre a Capoeira Inclusiva estão disponíveis no perfil @professor_vermelho.
