23/06/2026
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Canetas emagrecedoras levam restaurantes a criar pratos menores em MS

Canetas emagrecedoras levam restaurantes a criar pratos menores em MS

O aumento do uso de canetas emagrecedoras, como o “Monjauro”, tem impactado as vendas no setor de alimentação em Mato Grosso do Sul. Em reunião realizada nesta terça-feira, donos de restaurantes discutiram a criação de opções com porções menores e preços proporcionais para atender consumidores que passaram a comer menos após iniciar o tratamento para perda de peso.

O tema foi debatido durante o encontro empresarial “Adaptando seu cardápio à era das canetas emagrecedoras”, promovido pela Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) e pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). O objetivo foi orientar donos de bares e restaurantes e apresentar estratégias para atrair um público que cresce em todo o país.

Segundo a gestora estadual de Gastronomia do Sebrae, Laís Maluf, a mudança vai além da redução da quantidade servida. Ela explica que os medicamentos alteram mecanismos hormonais relacionados à fome e à saciedade, modificando a forma como os pacientes percebem os alimentos e vivenciam a experiência das refeições.

Conforme Laís, essas alterações também influenciam as escolhas. Alimentos ricos em gordura e açúcar costumam perder espaço na dieta dos usuários das canetas, seja pela menor tolerância do organismo, seja pela diminuição do interesse por esse tipo de produto. Diante disso, ela aconselha a adaptação dos cardápios com ingredientes, métodos de preparo e formas de apresentação mais adequadas a esse novo perfil de consumidor.

Para o chef de cozinha e consultor do Sebrae, Gabriel Pimentel, a intenção é evitar que essas pessoas deixem de frequentar restaurantes por não encontrarem opções compatíveis com sua rotina alimentar. A estratégia consiste em criar um cardápio complementar, sem substituir os pratos tradicionais. A proposta segue uma lógica semelhante à dos pratos infantis, com porções menores e preços proporcionais à quantidade servida.

Gabriel explica que com porções menores e menor quantidade de ingredientes de maior custo, como proteínas, a tendência é que os novos pratos também tenham preços diferenciados. Embora não exista uma definição sobre valores, a expectativa é que a precificação acompanhe o tamanho reduzido das refeições, tornando a proposta atrativa tanto para empresários quanto para clientes.

Outra orientação de Gabriel é que, além da adequação nutricional, a iniciativa aposte na experiência visual como diferencial. A proposta é oferecer pratos mais elaborados esteticamente, capazes de despertar o interesse do consumidor mesmo diante de refeições menores.

A movimentação já desperta atenção de empresários do setor. Proprietária de restaurante em Campo Grande, Marjorie Caliani afirma que a preocupação dos clientes com alimentação saudável vem crescendo nos últimos anos e se reflete tanto nos pedidos feitos no restaurante quanto nas dúvidas recebidas pelas redes sociais.

“Nós percebemos que o público está cada vez mais atento à saúde. A procura por opções vegetarianas, veganas, com menos carboidratos, mais proteínas e menos gordura saturada tem crescido bastante”, relata.

Segundo ela, a mudança aparece tanto nos pedidos realizados no restaurante quanto nos contatos feitos pelas redes sociais e aplicativos de mensagem. “Os clientes estão mais preocupados com a alimentação e procuram alternativas que se encaixem em seus objetivos”, diz.