15/08/2026
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Aplicativo anônimo ajuda a identificar abuso antes da agressão

Aplicativo anônimo ajuda a identificar abuso antes da agressão

A policial civil Priscila Guimarães, que atua na Delegacia de Defesa da Mulher de Santa Fé do Sul (SP), criou o aplicativo Be Safe Mulher para ajudar mulheres a identificarem relacionamentos abusivos antes que a violência física aconteça. A ferramenta funciona como um questionário de risco e já registra cerca de 600 testes anônimos por semana.

Natural de Paranaíba, Priscila é servidora da Polícia Civil de São Paulo e trabalha a 18 km da divisa com Mato Grosso do Sul. Ela afirma que a experiência no atendimento diário a vítimas motivou a criação da plataforma. O objetivo é diagnosticar comportamentos que muitas vezes são normalizados, como controle excessivo, ameaças, humilhações, perseguição, isolamento e violência psicológica.

“A intenção do aplicativo é chegar à mulher antes mesmo da delegacia, antes da agressão física e antes que a violência chegue a um desfecho mais grave. A informação também é uma forma de proteção”, destaca a idealizadora.

Como funciona o teste

A plataforma foi pensada para ser simples e acessível, usando ilustrações e recursos visuais para explicar cada tipo de conduta abusiva. A usuária responde a 25 perguntas objetivas com “sim” ou “não” sobre situações do cotidiano. Cada resposta tem um grau de risco específico, e o sistema gera automaticamente um diagnóstico que classifica a relação como de risco moderado ou grave.

Entre as perguntas estão: “Seu parceiro(a) frequentemente grita com você, mesmo por pequenas coisas?”, “Ele já tentou te controlar impedindo você de estudar, trabalhar e realizar outras atividades?” e “Você se sente ‘presa’ ao relacionamento, pois tem medo do que ele pode fazer caso você termine?”.

Se for identificado risco moderado ou grave, a plataforma mostra um botão de emergência 24 horas com canais de apoio como a Central de Atendimento à Mulher (180), Polícia Militar (190), Direitos Humanos (100) e suporte de prevenção ao suicídio.

Acesso e privacidade

O aplicativo está hospedado na web, no endereço https://app.defesadamulher.com.br/, e não exige instalação. Pode ser acessado de qualquer lugar do Brasil. A ferramenta é 100% anônima e a desenvolvedora não tem acesso aos dados pessoais nem aos resultados individuais dos testes. O único indicador monitorado é o volume global de acessos.

Priscila reforça que o aplicativo não substitui o atendimento presencial especializado. “O aplicativo não substitui o trabalho da Polícia, o atendimento psicológico ou o Poder Judiciário. Ele é uma ferramenta de informação e prevenção”, afirma.

A proposta para o futuro é expandir o alcance do projeto e aproximá-lo de instituições de ensino, universidades e órgãos públicos de combate à violência de gênero. “Se a gente conseguir fazer com que uma mulher reconheça os sinais da violência mais cedo e interrompa o ciclo antes que ele se torne mais grave, o projeto já terá cumprido sua missão”, finaliza.

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