Um levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta os trechos, dias e horários com maior ocorrência de acidentes na BR-262, entre Campo Grande e Aquidauana. Os dados foram apresentados em uma audiência pública e reforçaram o debate sobre a duplicação da rodovia.
De acordo com a PRF, a maioria dos sinistros acontece aos fins de semana, no fim da tarde, e nas proximidades de Terenos e de Anastácio/Aquidauana. O diagnóstico foi apresentado pelo inspetor e chefe da 3ª Delegacia da PRF em Mato Grosso do Sul, Francinildo Fernandes de Araújo.
O levantamento reúne ocorrências em um trecho de pouco mais de 120 quilômetros da BR-262. Um dos pontos mais críticos fica entre os quilômetros 370 e 380, na região entre o distrito de Indubrasil e Terenos. O local tem muitas curvas e grande circulação de ciclistas. Outro trecho preocupante está entre os quilômetros 480 e 490, que inclui a área entre o posto da Polícia Militar Ambiental e os acessos a Anastácio e Aquidauana.
A PRF também identificou padrões temporais. Sábados e domingos concentram a maior quantidade de ocorrências, seguidas pelas segundas-feiras. Os horários mais críticos estão entre 17h e 19h. Entre as causas mais frequentes estão a falta de atenção, como ausência de reação do condutor, reação tardia, sono ao volante e ingestão de álcool. Os tipos de acidente mais comuns foram saída de pista, colisão traseira, tombamento e colisão frontal.
Os números mostram uma relativa constância no total de sinistros nos últimos anos. Em 2024, foram registrados 71 sinistros, sendo 29 graves e 11 mortes. Em 2025, o total foi de 62 ocorrências, com 17 acidentes graves, cinco mortes e 74 feridos. Até 26 de maio de 2026, haviam sido registradas 26 ocorrências.
O inspetor Francinildo destacou o impacto humano dos números. “Para quem olha apenas o gráfico, pode parecer pouco. Mas para as famílias que perderam alguém nesses acidentes, é um absurdo”, afirmou. Ele citou como possíveis fatores o aumento da circulação de caminhões de minério e a mudança do fluxo turístico para Bonito após a pavimentação da MS-345.
Audiência pública e duplicação
Os dados foram apresentados durante audiência pública proposta pelo vereador Sargento Cruz (PP-MS). Segundo ele, a mobilização surgiu de reclamações de usuários sobre o aumento de veículos pesados, congestionamentos e acidentes no trecho. Um trajeto que normalmente leva até duas horas tem chegado a durar três horas, segundo relatos.
Uma comitiva esteve em Brasília em março para discutir melhorias com o DNIT. A proposta inicial era a implantação de terceiras faixas, mas a discussão passou a se concentrar na duplicação. A audiência ocorreu após o DNIT lançar a licitação para contratação dos estudos e projetos de engenharia para duplicação do trecho entre Terenos e Aquidauana.
A licitação, no valor de R$ 11.650.868,17, foi dividida em duas etapas. A primeira abrange 59,9 quilômetros, do entroncamento da MS-352/355, em Terenos, até o acesso a Dois Irmãos do Buriti. A segunda etapa vai desse ponto até o entroncamento com a Avenida JK, em Anastácio/Aquidauana, com 45,8 quilômetros. A abertura das propostas está prevista para 17 de julho.
Ao final da audiência, realizada em 29 de maio, foi elaborada a Carta de Aquidauana. O documento reúne as principais reivindicações e apoia a continuidade dos estudos para a duplicação, destacando a necessidade de ações de segurança viária, proteção ambiental e desenvolvimento regional. A carta é assinada por autoridades municipais, pesquisadores, parlamentares e representantes do DNIT e da PRF.
