O preço do ouro registrou uma alta significativa de mais de 3% nesta terça-feira, 20 de outubro, alcançando o patamar histórico de US$ 4.700 por onça-troy. Esse aumento é reflexo das tensões comerciais crescentes entre os Estados Unidos e a União Europeia, especialmente em torno da disputa pela Groenlândia. Como resultado, investidores têm buscado ativos mais seguros, levando também a uma desvalorização do dólar. Isso tornaria os metais preciosos mais acessíveis para quem possui outras moedas.
Na bolsa de Nova York (Comex), que é a divisão de metais da Nymex, o contrato de ouro para entrega em fevereiro fechou a US$ 4.765,80, com um aumento de 3,71%. A prata também teve um desempenho notável, registrando uma alta de 6,89%, alcançando US$ 94,63 por onça-troy, após atingir um pico histórico de US$ 95,78.
O Commerzbank, uma instituição financeira alemã, sugere que as recentes ações do presidente dos EUA têm minado a confiança dos investidores no dólar, fazendo com que muitos considerem o ouro como uma opção segura, uma vez que este metal não está sujeito a influências políticas e decisões de bancos centrais.
Essa demanda por ouro pode ser vista no aumento significativo de investimentos em fundos de índice (ETFs) relacionados ao metal. Segundo dados do Conselho Mundial do Ouro, mais de 800 toneladas de ouro foram investidas em ETFs no ano passado, o que representa o segundo maior fluxo anual na história, atrás apenas de 2020, quando houve uma forte redução nas taxas de juros pelos bancos centrais durante a pandemia. Somente na última sexta-feira, o maior ETF de ouro do mundo acrescentou 11 toneladas em suas reservas.
Além da movimentação no mercado de ouro, o fundo de pensão da Dinamarca anunciou sua decisão de se desfazer de títulos do Tesouro dos EUA, citando preocupações sobre a fragilidade das finanças do governo americano. Isso ocorreu em um cenário de crescente tensão geopolítica.
Em contrapartida, a prata tem enfrentado saídas de capital de ETFs desde o início do ano, com alguns investidores realizando lucros. Outros metais preciosos também mostraram valorização, como a platina, que avançou 5,5%, atingindo US$ 2.450,00 por onça-troy, e o paládio, com uma alta de 4,4%, sendo negociado a US$ 1.902,00 por onça-troy.
