21/01/2026
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Os 12 mais ricos do mundo detêm riqueza superior a 4 bilhões

O mundo inicia o ano de 2026 com um quadro alarmante de desigualdade. Um novo relatório da Oxfam, divulgado no último domingo, revela que os 12 bilionários mais ricos do planeta possuem uma fortuna maior do que a soma de riqueza de 4 bilhões de pessoas, ou seja, metade da população mundial.

O estudo aponta que 2025 foi um ano recorde para os super-ricos, com o número de bilionários ultrapassando 3 mil pela primeira vez. A riqueza total desse grupo alcançou cerca de 18,3 trilhões de dólares, o equivalente a aproximadamente 91,5 trilhões de reais. No último ano, a fortuna desses bilionários cresceu impressionantes 2,5 trilhões de dólares, valor que, segundo a Oxfam, seria suficiente para erradicar a pobreza extrema 26 vezes.

Esse aumento na riqueza dos bilionários é ainda mais impactante quando comparado ao Orçamento da União do Brasil para 2026, que foi de 6,54 trilhões de reais: em um único ano, a fortuna dos bilionários cresceu o dobro do orçado pelo governo federal.

Enquanto a riqueza se concentra nas mãos de poucos, a vida da maioria da população global permanece estagnada ou piora. O relatório indica que uma em cada quatro pessoas no mundo enfrenta insegurança alimentar, e quase metade da população vive abaixo da linha de pobreza ampliada definida pelo Banco Mundial.

Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, ressalta que a alta concentração de riqueza não é um fenômeno natural, mas sim resultado de decisões políticas. Segundo ela, contar com mais de 3 mil bilionários é um reflexo de um mundo desigual, reforçado por ações de governos e desejos dos próprios bilionários para manter esse sistema.

Ela também menciona as consequências ambientais desse padrão de riqueza. Os super-ricos tendem a investir em setores que poluem mais e levam um estilo de vida que consome muitos recursos. Viviana destaca que, nos primeiros dias do ano, esses bilionários já tinham esgotado sua cota de carbono, o que evidencia como a concentração de riqueza se torna uma ameaça tanto à democracia quanto ao futuro do planeta.

### Brasil e a desigualdade

O relatório ainda aponta que o Brasil é o país com o maior número de bilionários na América Latina e no Caribe, totalizando 66 pessoas que acumulam 253 bilhões de dólares, cerca de 1,26 trilhão de reais. Esse montante representa quase 20% do orçamento federal para 2026.

Esse acúmulo de riqueza é coexistente a um sistema tributário considerado injusto, onde a maior parte da arrecadação vem do consumo e dos salários, afetando desproporcionalmente as famílias de baixa renda, mulheres e pessoas negras. Em contrapartida, os rendimentos de capital são pouco taxados.

Viviana Santiago aponta que essa desigualdade é resultado de escolhas políticas. Ela afirma que quando poucos têm tanto e pagam menos impostos proporcionalmente, toda a sociedade acaba perdendo. Embora a recente reforma do Imposto de Renda, que isentou quem ganha até 5 mil reais, seja vista como um passo positivo, o Brasil ainda precisa enfrentar questões estruturais, como a taxação de lucros e heranças, para reduzir as desigualdades históricas.

O relatório conclui que essa concentração extrema de riqueza não só aprofunda desigualdades sociais, mas também fragiliza a democracia. A Oxfam observa que, enquanto os super-ricos acumulam fortuna rapidamente, diversos governos favorecem seus interesses em vez de investir na redistribuição de renda e no combate à pobreza.

### Fórum Econômico Mundial

O relatório foi apresentado durante o Fórum Econômico Mundial, que ocorre de 19 a 23 de janeiro em Davos, na Suíça, com a presença de mais de 400 líderes políticos e empresariais, incluindo cerca de 65 chefes de Estado. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, não participou do evento, que teve a ministra do Planejamento, Simone Tebet, como representante do país.

O tema oficial desse ano é “Um espírito de diálogo”. No entanto, o relatório da Oxfam traz à tona um desafio à realidade do evento, que conta com representantes de setores que, segundo a organização, são responsáveis pela concentração de riqueza, distorções democráticas e bloqueios a reformas necessárias.