16/07/2026
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Operação Gutenberg: propina e acesso a prefeitos

Operação Gutenberg: propina e acesso a prefeitos

Investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Gutenberg revela como investigados avaliavam o acesso a prefeitos de Mato Grosso do Sul para fechar contratos com a Editora Avante. As mensagens mostram a busca por reuniões com chefes do Executivo municipal e o acompanhamento das vendas de livros às prefeituras.

Os diálogos analisados são principalmente entre o advogado e representante da editora, Gabriel Taquino de Paula, e o ex-gestor de regulação da Saúde, Ed Carlo Britto Burgatt. As mensagens revelam a forma usada para tentar fechar contratos mediante propina.

Em fevereiro de 2022, Gabriel perguntou sobre dois prefeitos. “O (de Anastácio) é de difícil acesso? E o prefeito de Aquidauana?”, escreveu. Depois, explicou o interesse: “Pra gente ganhar um dinheiro”. Ed Carlo respondeu que poderia verificar. Gabriel completou: “Se fechar a gente vai ganhar um dinheiro sem fazer nada”. Na mesma sequência, afirmou ter fechado negócio de R$ 780 mil com Angélica e que receberia R$ 20 mil por isso.

A conversa resume uma dinâmica que se repete no documento: descobrir quem tinha acesso ao prefeito, conseguir a reunião e tentar avançar com a contratação, com propina que ia de 2% a 15%.

Em Caarapó, Gabriel informou em 24 de maio de 2022 que havia se reunido sobre o município. “Terça-feira vou lá só fazer o merchandising com o prefeito”, escreveu. Na sequência, enviou mensagens sobre divisão da suposta propina: “5 seu”, “15 prefeito”. O documento não comprova, nesse trecho, que o prefeito tenha recebido qualquer valor.

Dois dias depois, em Inocência, Ed Carlo avisou a Gabriel: “Prefeito está aqui” e “Esse é só meu se rodar”. Gabriel respondeu que pediria o orçamento e acrescentou: “Aí vc divide com o prefeito”. Segundo o Gaeco, a reunião ocorreu na regulação estadual de saúde. Antes do encontro, Ed Carlo orientou Gabriel a não mencionar percentuais porque havia outra pessoa na sala.

O caso de Nova Alvorada do Sul mostra quando o negócio não avançava. Havia dificuldade para fechar com o prefeito porque o município estaria se alinhando com outros fornecedores. Nas mensagens, Ed Carlo afirmou: “Vou ligar pro prefeito”, “vou ajudar um monte o prefeito”, “pra nada”, “eu tranco tudo aqui” e “saúde zero”.

Para o Gaeco, Ed Carlo usava sua posição na Secretaria Estadual de Saúde para condicionar o encaminhamento de cirurgias e exames à contratação da Editora Avante. Em outra conversa, quando surgiu a informação de que Nova Alvorada do Sul não faria a contratação por falta de orçamento, Gabriel escreveu: “Deixa o povo sem leito lá” e “Suspende as cirurgias de nova alvorada”.

Em Ivinhema, o acesso ao prefeito voltou a aparecer ligado à saúde. Em novembro de 2022, Gabriel tentava vender ao chefe do Executivo municipal e dizia que, caso conseguisse, daria “um presente” a Ed Carlo. A investigação registra ainda que Ed Carlo afirmou que resolveria a situação do prefeito na área da saúde.

Em Angélica, o caminho para chegar ao prefeito também passava pelo local de trabalho de Ed Carlo. Em janeiro de 2023, Gabriel marcou uma reunião com o chefe do Executivo municipal na Coordenadoria de Regulação. “Terça feira aí na regulação”, escreveu. “Com o prefeito de Angélica”.