Um navio de guerra da Rússia chegou, nesta sexta-feira, à principal base naval da África do Sul. O embarque faz parte de um exercício militar que ocorrerá neste fim de semana, envolvendo também embarcações da China e do Irã. A realização dessas manobras acontece em um momento de tensão nas relações entre os Estados Unidos e a África do Sul.
O exercício militar contará com a participação de várias nações que possuem relações complexas com os Estados Unidos. A presença desses países se torna evidente poucos dias após uma operação militar dos norte-americanos na Venezuela. Participam da atividade um destróier e um navio de reabastecimento da China, assim como um navio-base iraniano, que estão em águas sul-africanas desde o início da semana.
Repórteres observaram um navio de guerra russo, identificado como uma corveta, chegando à baía Falsa, próxima à base de Simon’s Town. Os exercícios, denominados “Vontade para a Paz 2026”, são liderados pela China e envolvem embarcações de 11 nações que compõem o grupo Brics, que foi classificado anteriormente como “antiamericano” por figuras políticas dos Estados Unidos.
Os Emirados Árabes Unidos também planejam enviar navios, segundo o vice-ministro da Defesa da África do Sul, Bantu Holomisa. Outras nações do Brics, como Indonésia, Etiópia e Brasil, participarão da atividade como observadores. O grupo Brics inclui ainda Índia, Egito e Arábia Saudita.
As Forças Armadas sul-africanas afirmaram que os exercícios visam “trocar as melhores práticas e melhorar as capacidades operacionais conjuntas”. Holomisa destacou que a programação do exercício aconteceu muito antes do aumento das tensões recentes. Inicialmente, as manobras estavam agendadas para novembro de 2025, mas foram adiadas devido à coincidência com a cúpula do G20 em Joanesburgo, que os Estados Unidos decidiram não comparecer.
Além disso, no ano passado, os Estados Unidos expulsaram o embaixador sul-africano e impuseram tarifas de 30% ao país. Um porta-voz do Ministério da Defesa da África do Sul afirmou que os exercícios conjuntos “não têm absolutamente nada a ver com a Venezuela”. Holomisa também mencionou que não há razão para entrar em pânico devido aos problemas enfrentados pelos Estados Unidos com outros países, ressaltando que a África do Sul não considera esses países como inimigos. Ele enfatizou a importância de cooperar com os países do Brics para garantir a segurança dos mares, especialmente no oceano Índico e no Atlântico.