segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
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Morre Manoel Carlos, ícone das novelas brasileiras

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[email protected] EM 12 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 08:23

Morreu neste sábado, no Rio de Janeiro, o renomado dramaturgo, produtor e diretor Manoel Carlos, aos 92 anos. Conhecido por criar novelas de grande sucesso na Globo, como “Por Amor”, “História de Amor”, “Mulheres Apaixonadas” e “Páginas da Vida”, ele se destacou na teledramaturgia nacional a partir dos anos 1980. Suas histórias frequentemente retratavam a vida da elite carioca, especialmente no bairro do Leblon.

A confirmação da morte veio pelas redes sociais da produtora Boa Palavra, que cuida do legado do autor. O velório será restrito a familiares e amigos próximos. A causa do falecimento não foi divulgada, mas Manoel Carlos, carinhosamente chamado de Maneco, lutava contra a doença de Parkinson há mais de dez anos, tendo experimentado um agravamento em sua condição nos últimos anos, afetando tanto a parte motora quanto cognitiva.

Sua última novela, “Em Família”, foi exibida em 2014 e abordou a doença que ele enfrentava por meio de um personagem que também tinha Parkinson, interpretado por Paulo José. A saída de Manoel Carlos da Globo, em 2015, envolveu polêmicas e conflitos, que ainda persistem. Em setembro passado, a Boa Palavra entrou com um processo contra a Globo por falta de clareza em relação aos pagamentos das produções do autor, que têm sido reprisadas regularmente.

Manoel Carlos teve uma trajetória de vida cheia de desafios, com tragédias pessoais. Ele perdeu a primeira esposa e seus três filhos. Maria de Lourdes, sua primeira mulher, faleceu tragicamente após um acidente doméstico. Os filhos também morreram jovens: Ricardo, que era soropositivo, faleceu aos 32 anos, e seu primogênito, Manoel Carlos Jr., teve um infarto aos 58. Apesar das perdas, Maneco encontrou alegria ao se tornar pai novamente aos 60 anos, do filho Pedro, fruto de seu terceiro casamento com Betty. No entanto, Pedro também partiu de forma súbita em 2014.

Nascido em 14 de março de 1933, Manoel Carlos cresceu em um ambiente de classe média alta em São Paulo, mas enfrentou dificuldades financeiras quando seu pai faliu nos anos 1950. Como adolescente, ele teve problemas na escola, sendo encaminhado para um colégio interno, mas abandonou os estudos antes de finalizar o ensino fundamental. A partir daí, dedicou-se ao teatro amador, participando de grupos escolares e comunitários.

Ele iniciou sua carreira na televisão aos 18 anos, em um programa da TV Tupi. Trabalhou em várias emissoras, destacando-se como ator, autor, produtor e diretor. Nos anos 1960, ajudou a consolidar a teledramaturgia brasileira e participou da criação de diversos programas de sucesso, como o “Fantástico”. Em 1973, começou sua trajetória na Globo, onde se tornou um dos principais autores de novelas, escrevendo histórias que refletiam o cotidiano da classe média e alta brasileiras.

As tramas de Manoel Carlos eram conhecidas por seus personagens femininos fortes, muitas vezes centrais nas histórias. Ele criou uma série de protagonistas com o nome Helena, que enfrentavam dilemas amorosos e familiares em meio a questões sociais. Suas obras abordaram temas como câncer, alcoolismo e respeito aos idosos, sempre com a intenção de promover uma reflexão social.

Entre seus sucessos, destacam-se novelas que se tornaram clássicos da TV. “Por Amor” trouxe um enredo polêmico sobre a troca de bebês, e “Laços de Família” tratou de questões emocionais profundas, como a luta contra a leucemia. Ele foi reconhecido por sua sensibilidade ao escrever sobre a alma feminina, sendo muitas vezes comparado a outros grandes nomes da cultura brasileira.

Com uma carreira que impactou várias gerações, Manoel Carlos foi uma figura central na televisão do país, deixando um legado imenso na dramaturgia. Através de suas novelas, ele conseguiu refletir e criticar a realidade brasileira, criando histórias que cativaram e sensibilizaram o público ao longo das décadas.

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