28/05/2026
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Moïse Kouamé: a trajetória do « matcheur »

O tenista francês Moïse Kouame, de 17 anos, enfrenta Daniel Vallejo nesta quinta-feira no segundo turno de Roland-Garros. Desde os primeiros passos nas quadras do Val-d’Oise, o jovem mostrou aptidões raras, especialmente a capacidade de se superar quando a partida fica mais disputada.

O conselheiro esportivo territorial François Rouhier registrou pela primeira vez o nome de Kouame em janeiro de 2014. “Com 5, 6 anos, não escolhemos as crianças pela eficiência, mas pela destreza e pelo prazer em jogar”, disse. Mesmo antes dos 5 anos, Kouame já atendia a todos os critérios: “Tinha qualidades de destreza notáveis e amava o tênis, não por razões erradas, como agradar os pais.”

Erwan Rebuffé, treinador do jogador por duas temporadas no Tennis Club Sarcellois, afirmou que Kouame fazia parte do grupo de jovens com maior potencial. “Ele era muito novo, mas já dava para sentir que poderia entrar no top 100 mundial. Não tem muitos assim”, declarou o ex-educador, hoje psicólogo. Rebuffé destacou a técnica apurada do atleta e a capacidade de se adaptar.

O termo “matcheur” aparece com frequência entre os formadores de Kouame. Bruce Liaud, que trabalhou com ele no Pôle France de Poitiers, explicou: “Não era mais o mesmo jogador quando havia contagem de pontos. Ele já tinha essa recusa de perder. Aumentava o nível, a precisão e a concentração. Sempre teve essa capacidade de ser melhor nos finais de set.”

Rebuffé acrescentou: “Quanto mais quente o jogo, melhor ele joga. Era capaz de se superar no momento decisivo. E isso já aos 7 anos.” O treinador notava que, ao oferecer recompensas ao vencedor, o olhar de Kouame mudava: “De repente, ele corria três vezes mais rápido e acertava os golpes certos na hora certa.”

Olivier Delaitre, que acompanhou Kouame na All In Academy entre 2020 e 2021, lembrou que o jovem era menor que seus parceiros de treino, mas dava um jeito de vencer. “Ele tinha um lado Gilles Simon: assim que chegava à partida, tinha algo a mais”, comparou. Delaitre notou que Kouame, mesmo durante os treinos, queria vencer a qualquer custo e evitava erros quando decidia não cometê-los.

Liaud destacou o caráter forte do atleta: “Moïse estava pronto para ir para o combate e mostrar ao outro que não seria ele a desistir.” Delaitre testemunhou essa determinação quando, após se machucar no punho esquerdo jogando futebol, Kouame passou quase dois meses treinando apenas slices de backhand com uma mão. “Ele perdia quase todos os sets e ficava louco. Não suportava perder.”

Liaud não se preocupa com a repentina popularidade do jovem em Paris. “Ele é inteligente, determinado, sereno e sempre focado no trabalho. Sabe onde quer chegar. Acho que não vai se perder no caminho.” O percurso de Kouame está apenas começando.