19/01/2026
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Mercosul e União Europeia: oportunidades para o agronegócio brasileiro

Um novo acordo entre o Mercosul e a União Europeia deve beneficiar significativamente o agronegócio brasileiro nos próximos anos. Com a redução de tarifas e o aumento das cotas de exportação, a estimativa é de que o agronegócio brasileiro possa ver um aumento nas exportações de até US$ 6,2 bilhões até 2040. No ano passado, a União Europeia importou produtos agrícolas do Brasil no valor de US$ 25 bilhões.

De acordo com um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as carnes e os óleos vegetais, especialmente o óleo de soja, são considerados os setores com maior potencial de crescimento. O coordenador de estudos do Ipea, Fernando Ribeiro, destacou que a produção agrícola deve crescer em torno de 2%, o que corresponde a aproximadamente US$ 11 bilhões a mais na economia.

Além disso, o estudo aponta que o produto interno bruto (PIB) do Brasil poderá aumentar em 0,46%, adicionando cerca de US$ 9,3 bilhões à economia. Essa projeção é maior do que o esperado para a União Europeia, que deve crescer apenas 0,06%, e para os outros países do Mercosul, cuja média é de 0,20%. O acordo também poderá atrair 1,19% mais investimentos europeus no país e gerar um aumento de 0,41% nos salários reais.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec) informou que o acordo permitirá a exportação de 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul para a Europa anualmente, começando com uma tarifa de 7,5%. Atualmente, o Brasil tem uma cota que permite a exportação de até 10 mil toneladas de cortes nobres com uma tarifa de 20%, a qual deve ser eliminada com o novo acordo.

A Minerva Foods, que já exporta carne bovina para a Europa, está otimista com a possibilidade de aumentar sua competitividade. A empresa já opera em diversos países do Mercosul e planeja aproveitar o acordo para expandir sua atuação no mercado europeu.

O empresário Ricardo Faria, dono da Granja Faria, maior produtora de ovos do país, também se preparou para o novo cenário. Ele já habilitou uma unidade de Minas Gerais para exportar ovos, com uma cota de 3 mil toneladas de ovos processados e 3 mil de albumina. Após a liberação de novas unidades a partir de 2025, ele destaca a oportunidade de expandir o portfólio de exportações.

O setor de frutas também deve se beneficiar. Aníbal Campos, gerente-geral de Comércio Exterior da Agrivale, comentou sobre o potencial de aumento nas exportações de uvas. Em 2025, a empresa bateu recorde na exportação de ovos, mas enfrenta desafios com as tarifas nos Estados Unidos. Com o acordo, a Europa se apresenta como um mercado promissor, potencialmente superando outros mercados considerados mais estáveis.

A Agrivale, localizada em Petrolina (PE), é uma das principais distribuidoras de uva no mercado interno e atualmente exporta cerca de 25% de sua produção. Campos acredita que a eliminação das tarifas na Europa tornará a uva brasileira mais competitiva em relação à uva peruana, que já não possui tarifas.

Assim, o novo acordo entre o Mercosul e a União Europeia promete abrir novas oportunidades para o agronegócio brasileiro, destacando o potencial de crescimento em diversas áreas e produtos.