O cirurgião vascular Célio Helegda, de 52 anos, transforma ônibus antigos em motorhomes. Ele possui duas relíquias: um Ciferal 1969, apelidado de Dininho, e um modelo de 1977, chamado Dinossauro. Os veículos estiveram no 5º Encontro de Motorhomeiros e Campistas de Mato Grosso do Sul.
Célio é apaixonado por veículos antigos desde antes da faculdade. Ele mantém até hoje o primeiro carro que ganhou da mãe, um Ford 1951, guardado e funcionando. O interesse por motorhomes feitos a partir de ônibus clássicos surgiu depois de outras aquisições e viagens para encontros automotivos.
O mais antigo da dupla é o Dininho, conhecido como Flecha de Prata. Compacto para a época, era usado no transporte intermunicipal e tem motorização original Mercedes-Benz 352A. A carroceria em duralumínio deu fama de resistente e leve ao modelo. Por dentro, o estofado xadrez, a mesa com sofá e a geladeira original das décadas de 1950 e 1960 criam um clima de viagem no tempo. O espaço acomoda até seis pessoas para dormir.
“Eu comecei a construir um ônibus que comprei de um conhecido, mas era baixo e pequeno. Então, um senhor negociou esse e pegou o meu em troca. Esse é um Ciferal 1969, tem motor usado de caminhões boiadeiros”, disse Célio. O veículo veio completo com placa solar e aquecedor a gás.
Dinossauro de 1977
O modelo de 1977, chamado Dinossauro, foi encontrado depois de anos sendo observado em anúncios. “Eu acompanhava esse ônibus há muito tempo, mas o valor era alto. Depois de dois anos, o preço baixou e consegui parcelar”, lembrou o médico. O veículo trabalhou nas rotas entre Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro pela antiga Viação Impala, ligada à Cometa. Equipado com motor Scania 112, ele fez parte de uma geração que dominou as estradas brasileiras nos anos 1970 e início dos anos 1980.
Na prática, o apelido Dinossauro não é exagero. Esses ônibus eram considerados os mais rápidos, confortáveis e confiáveis do transporte rodoviário brasileiro na época, antes da chegada dos Flecha Azul. “Era um ônibus muito avançado para aquele período. Foi usado durante muito tempo. Já tinha outro modelo inspirado nos ônibus americanos. Eles eram ônibus maiores, de até 12 metros, máximo previsto pela lei. Depois, a lei mudou e, em 1979, passaram a permitir os de 14 metros”, explicou Célio.
O veículo está em processo para receber a “placa preta”, certificação destinada a automóveis com alto grau de originalidade histórica. “É por manter completa originalidade, apenas tendo sido transformado. Na verdade, creio que será o único motorhome placa preta no próximo evento”, afirmou. Segundo ele, praticamente toda a estrutura foi preservada, incluindo rodas raiadas usadas nos antigos caminhões “jacaré”. “Mecanicamente, ele está completamente original”.
O interior foi adaptado para viagens longas sem perder o charme vintage. O ônibus acomoda até 10 passageiros e possui móveis de madeira, dois beliches, banheiro social e um quarto suíte. Na cozinha, há outra raridade: uma geladeira antiga original. “Busquei em Ponta Porã. A dele, que veio com ele, que era a gás, não consegui salvar, mas está arrumando, acho que vai resolver. Tanto esse quanto o outro não enferrujam, são de alumínio, não oxidam. É um ônibus que resiste ao tempo, por isso Dinossauro. Eu comprei o Dininho em 2023 e esse em 2025”, contou.
Na coleção do médico, há carros sobre os quais ele prefere não falar por segurança. “Tenho relíquias como Ford 1949. O Ford 51 é o meu predileto, o carro em que estudei, fiz faculdade”.
