No último domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal The New York Times, onde comentou os bombardeios de forças dos Estados Unidos em solo venezuelano e a detenção do presidente desse país, ocorridos no começo de janeiro. Para Lula, esses eventos marcam mais um triste episódio na crescente erosão do direito internacional e na desestabilização da ordem multilateral que foi estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
No texto, Lula expressou sua preocupação com o que considera ser uma violação constante da autoridade das Nações Unidas e de seu Conselho de Segurança por parte de potências mundiais. Ele argumentou que, quando a força começa a ser usada como solução comum para conflitos, em vez de uma exceção, isso ameaça a paz, a segurança e a estabilidade em nível global.
O presidente enfatizou que a aplicação seletiva das normas internacionais prejudica o sistema global. Ele alertou que, se as regras forem seguidas apenas de forma parcial, emerge uma situação de anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas todo o equilíbrio internacional.
Em sua análise, Lula ponderou que para criar sociedades livres e democráticas, é fundamental que existam regras coletivas. Ele também reconheceu que líderes de qualquer nação podem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos humanos, mas ressaltou que não é aceitável que um país assuma o papel de juiz e execute ações unilaterais, pois isso gera instabilidade, desorganiza o comércio, aumenta o fluxo de refugiados e compromete a capacidade dos Estados de enfrentar desafios como o crime organizado.
Lula se mostrou especialmente preocupado com essas práticas na América Latina e no Caribe, ressaltando que elas fomentam violência e instabilidade em uma região que busca paz por meio da igualdade soberana e da autodeterminação. Ele destacou que, em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que um ataque militar direto dos Estados Unidos atinge a América do Sul.
Ao abordar a região, o presidente recordou que a América Latina e o Caribe, com uma população superior a 660 milhões, têm seus próprios interesses e aspirações. Em um mundo onde diversas potências coexistem, ele reafirmou que nenhum país deve ter suas relações internacionais questionadas apenas por buscar uma visão universal.
Lula declarou que o objetivo é construir uma região próspera, pacífica e diversificada, não subordinada a interesses hegemônicos. Ele também indicou a importância de estabelecer uma agenda regional positiva, capaz de transcender divergências ideológicas, enfatizando a necessidade de atrair investimentos, gerar empregos de qualidade e promover um comércio robusto, tanto dentro da região quanto com outros países.
Sobre a situação da Venezuela, Lula afirmou que o futuro da nação deve ser decidido pelo próprio povo. Ele defendeu que apenas um processo político inclusivo e liderado por venezuelanos poderá garantir um futuro democrático e sustentável.
Além disso, Lula reafirmou o compromisso do Brasil em cooperar com os venezuelanos, especialmente na proteção da extensa fronteira de mais de 1.300 quilômetros compartilhada entre os dois países. Em relação aos Estados Unidos, o presidente destacou que as duas nações são as maiores democracias das Américas e que a colaboração em investimentos, comércio e combate ao crime organizado deve ser a prioridade em suas relações. Ele finalizou ressaltando que a união de esforços é essencial para enfrentar os desafios que afetam o continente.
