quarta-feira, 07 de janeiro de 2026
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Geopolítica da Venezuela: análise de Prates sobre China e Brasil

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[email protected] EM 5 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 04:23

O conflito entre os Estados Unidos e a Venezuela destaca um complexo cenário geopolítico, que vai além do simples interesse pelo petróleo. Em uma entrevista, Jean Paul Prates, ex-presidente da Petrobras, comentou sobre a recente intervenção americana na Venezuela, ocorrida no último sábado (3), e como isso reflete uma nova distribuição de poder global, onde diferentes países disputam áreas estratégicas de influência.

Prates explicou que a geopolítica atual não se resume mais a disputas relacionadas apenas ao petróleo, como nas crises das décadas de 1970. Ele destacou que estamos vivendo uma era de conflitos entre várias regiões de interesse mundial. Por exemplo, a Rússia tem avançado na Europa Oriental e em regiões da Ásia Central, enquanto a China busca expandir sua presença na Ásia Oriental, no Extremo Oriente e na África, aumentando sua influência em várias partes do mundo. Nesse contexto, a América Latina se tornou uma área de atenção para os Estados Unidos.

Os interesses americanos na Venezuela vão além do petróleo, que tem um potencial de produção significativo, estimado em 3 milhões de barris diários. Atualmente, no entanto, a produção é inferior a 1 milhão de barris, devido à falta de investimentos. Prates ressaltou que, além do petróleo, a Venezuela possui reservas importantes de outros recursos minerais, como bauxita, ouro, e minerais raros, que também são de interesse estratégico.

### O papel do Brasil no novo cenário global

Neste cenário de disputas por recursos, o Brasil se destaca como um fornecedor estratégico, especialmente para a China. Prates mencionou que o país possui petróleo de alta qualidade e uma produção crescente no pré-sal, com empresas chinesas investindo diretamente em blocos de petróleo brasileiros.

Ele comentou sobre as vantagens competitivas do Brasil, como a estabilidade institucional e a ausência de sanções internacionais. Com a possibilidade de a Venezuela ter sua oferta de petróleo para a China reduzida devido à intervenção dos EUA, o Brasil pode se tornar um importante fornecedor substituto.

Prates também afirmou que a tensão entre Estados Unidos e China terá impacto direto nas relações do Brasil com essas potências. A China pode adotar uma postura diferente em relação ao Brasil, enquanto os Estados Unidos podem vê-lo com mais cautela. Além disso, ele alertou que a possível recuperação da indústria petrolífera venezuelana sobre a influência dos EUA pode gerar uma concorrência direta com o Brasil no mercado internacional.

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