Veículos Autônomos na Europa: Novidades e Desafios
A Europa pode receber veículos com condução parcialmente autônoma ainda este ano, com a expectativa de que modelos mais avançados, com autonomia total em certas condições, cheguem no próximo ano. A informação foi compartilhada por Ali Kani, vice-presidente da área automotiva da Nvidia, em entrevista recente.
A Nvidia, líder em tecnologia de chips e inteligência artificial, está focando no desenvolvimento de software que pode ser adquirido por empresas que operam robotáxis, em vez de fabricar carros. A inteligência artificial é uma peça chave nesse avanço, prometendo reduzir custos e aumentar a eficiência dos veículos autônomos.
Atualmente, a Europa está em um momento decisivo para definir como os carros autônomos circularão nas cidades. Kani destacou que é fundamental agir rapidamente, respeitando as regulações que estão sendo gradualmente flexibilizadas. Segundo ele, o nível 2+ de automação, em que o motorista ainda tem a responsabilidade de monitorar a estrada, pode ser uma realidade até o final deste ano. Já o nível 4, que permite ao veículo operar completamente sem intervenção humana, é esperado para 2027.
Testes de veículos autônomos já estão sendo planejados em grandes cidades europeias, como Londres. No entanto, a liberação total para circulação depende do desempenho real dos sistemas de condução nas estradas. Atualmente, a Europa permite a utilização de sistemas de nível 2 e já aprovou o nível 3 em condições controladas. Contudo, há desafios a serem enfrentados; recentemente, a Mercedes-Benz suspendeu a funcionalidade Drive Pilot em alguns países devido a questões de regulamentação.
A Nvidia também anunciou parcerias com empresas como Lucid, Uber e Nuro para a criação de uma frota de robotáxis. Enquanto isso, a Mercedes-Benz está trabalhando com a Nvidia para lançar um sistema avançado de assistência à condução que deve estar disponível nos Estados Unidos em breve.
Segurança é Prioridade
Um dos principais desafios para a implantação de veículos autônomos na Europa é a variedade de regulamentações que existem entre os países. A Nvidia se prepara para essa realidade adaptando seu sistema a cada norma nacional. O executivo ressaltou que a empresa adota uma abordagem focada na segurança, priorizando a prevenção de acidentes em vez de apenas buscar um desempenho superior ao de um motorista humano.
Para garantir essa segurança, a Nvidia utiliza uma combinação de sensores e duas camadas de software: uma focada na operação do veículo e outra na segurança, que atua como uma espécie de “guardião” do sistema. Essa estrutura é fundamental para evitar que erros ocorram durante a condução.
Recentemente, o software de condução autônoma da Nvidia, utilizado no Mitsubishi CLA, recebeu uma classificação de segurança máxima em um atendimento de avaliação europeu, um feito significativo para a indústria.
Olhando para o Futuro
A previsão do executivo é que, em um período de cinco a dez anos, o foco se volte para os “cenários de cauda longa”, que são situações inesperadas que os veículos ainda não conseguiram resolver. Um exemplo disso foi um incidente ocorrido em São Francisco, onde um serviço de robotáxis teve que interromper suas operações devido a semáforos com falhas.
Kani também mencionou que, apesar de a tecnologia da Nvidia adaptar-se bem às condições das vias, pode haver dificuldades em áreas rurais onde as estradas são estreitas. Nesses casos, se não houver lugar para estacionar, o veículo pode precisar parar na faixa, o que não é seguro.
Apesar dos desafios, Kani acredita que a condução autônoma pode tornar as estradas mais seguras, diminuindo acidentes causados por erros humanos. Além de aumentar a segurança, esses veículos podem transformar a forma como vivemos nas cidades, criando mais espaço para moradias em vez de estacionamentos.
Ele também compartilhou sua visão pessoal sobre como a tecnologia pode otimizar o tempo de deslocamento. Se puder trabalhar durante o trajeto ou mesmo dormir no carro, isso poderia revolucionar a experiência das viagens.
Kani finaliza expressando sua expectativa de que a condução autônoma se torne uma realidade em breve, trazendo benefícios significativos para a sociedade e redefinindo o nosso cotidiano.