A sombra da China na energia alemã
A Alemanha vive um momento delicado em sua política energética, após ter aprendido uma dura lição sobre a dependência de países rivais. Desde a crise do gás russo, provocada pela invasão da Ucrânia, o país tem dedicado esforços para reformular seu modelo energético. Atualmente, com a aproximação de 2026, as autoridades estão mais atentas para evitar repetir os erros do passado.
Embora tenha se desvinculado do gás russo, a Alemanha se vê agora em uma nova encruzilhada. A tecnologia solar e as redes energéticas do país têm forte influência da China, o que levantou preocupações no governo alemão. Recentemente, Berlim decidiu revisar minuciosamente todas as integrações energéticas, especialmente após um incidente envolvendo uma proposta de investimento que trazia à tona a sombra de Pequim.
Um investimento controverso
A empresa italiana Snam SpA havia manifestado interesse em adquirir uma participação minoritária na Open Grid Europe (OGE), uma das principais operadoras de gás da Alemanha. Embora o investimento parecesse inofensivo entre parceiros europeus, a situação se complicou quando o Ministério da Economia da Alemanha começou a investigar os acionistas da Snam.
A preocupação se deu especialmente devido à participação da estatal chinesa State Grid Corporation, que possui 35% da Cassa Depositi e Prestiti, que, por sua vez, controla um terço da Snam. Para o governo alemão, isso representava um risco significativo. Diante da resistência de Berlim em aceitar a transação, a Snam decidiu retirar sua proposta.
A posição de Berlim
O governo de Friedrich Merz está enviando uma mensagem clara: não quer que empresas com participação estatal chinesa façam parte do setor energético alemão. Essa postura reflete um esforço para assegurar a segurança e a independência energética do país, evitando os erros cometidos no passado. As autoridades agora focam em garantir que a infraestrutura energética se mantenha distante de influências externas que possam colocar em risco a soberania e a segurança nacional.
Neste cenário, a Alemanha reforça sua decisão de monitorar de perto as transações e parcerias no setor, buscando manter sua autonomia e evitar o repeteco de dependências que possam sair pela culatra.