30/04/2026
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Dia do Trabalho: 5 fatos históricos da cerveja como bebida do trabalhador

No Brasil, o Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador começou a ser celebrado no início do século 20, mas só se tornou feriado a partir de um decreto assinado pelo presidente Artur Bernardes em 1924.

A história da cerveja está ligada à história do trabalho. Antes de ser símbolo de descanso, a bebida foi usada como salário, nutrição e ferramenta de mobilização social. Das tavernas medievais aos pubs da Revolução Industrial, passando pelos movimentos trabalhistas, a cerveja serviu como tecido social que uniu trabalhadores. Para celebrar o 1º de maio, o Guia da Cerveja separou cinco fatos históricos que mostram que a cerveja tem DNA proletário.

1 – Salário em estado líquido

A relação entre cerveja e trabalhador remonta à Antiguidade. Muitas civilizações usavam a cerveja como parte do pagamento da mão de obra. Um exemplo é uma tabuleta de argila de 3 mil a.C., do acervo do Museu Britânico, que registra as rações de cerveja distribuídas aos operários em Uruk, na Mesopotâmia. Pagar salário com cerveja também foi comum no Egito Antigo, onde a bebida ajudava na hidratação e nutrição dos trabalhadores.

2 – Saison: o combustível das fazendas

Antes da produção industrial, a cerveja era feita em fazendas. O estilo Saison conserva essa marca. No interior da Bélgica, fazendeiros produziam a Saison no outono e inverno para vender aos saisonniers – trabalhadores temporários da plantação e colheita. Segundo o mestre cervejeiro Phil Markowski, a Saison era uma cerveja de provisão com três objetivos: refrescar os trabalhadores no verão, ocupar a mão de obra fixa no inverno e gerar bagaço para alimentar o gado. As Saisons modernas preservam o caráter rústico, leves e refrescantes, com notas frutadas e condimentadas. Um exemplo é a Saison Dupont, que voltou a ser importada para o Brasil.

3 – Grisette: a aliada dos mineiros

A cerveja acompanhou o trabalhador também nas minas de carvão. O sul da Bélgica foi uma das primeiras regiões a se industrializar entre o final do século 18 e começo do 19. A Grisette, variação da Saison, foi apreciada por mineradores – leve e refrescante, para recuperar as energias após o trabalho exaustivo. O nome significa “a pequena cinzenta”, podendo se referir à aparência turva da bebida ou à condição dos trabalhadores cobertos de cinzas.

4 – Porter: a “rockstar” da Revolução Industrial

A Porter é uma das histórias mais conhecidas. O nome vem dos estivadores do porto de Londres no século 18. Ela se tornou símbolo da Revolução Industrial, servindo de sustento para a massa de operários. O jornalista Martin Cornell a chamou de primeira cerveja rockstar. Uma lenda diz que surgiu como mistura de cervejas nos pubs, consumida por trabalhadores braçais. A Porter foi uma das primeiras cervejas escuras do mundo. Um exemplo próximo do original é a Fuller’s London Porter.

5 – Bitters, German Lagers e o Movimento Trabalhista

As primeiras manifestações do movimento trabalhista ocorreram na Inglaterra no século 19. Reuniões de trabalhadores eram ilegais até 1824, e muitos encontros aconteciam em pubs, entre uma cerveja e outra. Além da Porter e da Stout, havia as Bitters, de cor clara e mais amargas. Nos Estados Unidos, em 1º de maio de 1886, em Chicago, mais de 300 mil trabalhadores fizeram greve por 8 horas de trabalho, 8 de descanso e 8 de vida. Três dias depois, ocorreu o massacre de Haymarket, com bomba, repressão policial e execução de líderes. Em 1889, em Paris, o 1º de maio foi instituído como símbolo da luta trabalhista. A cerveja que acompanhava os trabalhadores era a German Pils, trazida por imigrantes germânicos. Um exemplo atual é a Frohenfeld German Pils, de Curitiba.

O Brasil e o Dia do Trabalho

No Brasil, a data começou a ser comemorada no início do século 20. O feriado foi instituído pelo decreto do presidente Artur Bernardes em 1924. Em 1º de maio de 1943, Getúlio Vargas assinou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), instituindo salário mínimo e férias, alterando o título para Dia do Trabalho.