Dinâmica Econômica da China e Seus Impactos Globais
A percepção ocidental sobre a China geralmente a vê como uma ameaça econômica crescente. Contudo, essa visão não reflete completamente a complexidade do modelo econômico chinês, que, segundo especialistas, está enfrentando sérios problemas tanto internos quanto externos.
Neil Shearing, economista-chefe de uma importante consultoria financeira, destaca que a China está presa em uma situação que “é uma perda para todos”, gerando dificuldades econômicas dentro do país e aumentando as tensões no comércio global. A participação da China nas exportações mundiais aumentou de cerca de 12% em 2020 para cerca de 18% atualmente. Essa ascensão, no entanto, foi acompanhada por uma significativa queda nos preços das exportações chinesas, que caíram em torno de 20% desde 2021, enquanto os preços de exportação de outros países se mantiveram estáveis.
Shearing aponta que essa situação é resultado de anos de investimentos excessivos e de capacidade ociosa na indústria manufatureira chinesa, levando a um excesso de produtos baratos nos mercados internacionais.
Impactos nos EUA e na Europa
Para os países ocidentais, especialmente Estados Unidos e na Europa, essa dinâmica é preocupante. Indústrias locais relatam dificuldades crescentes devido à concorrência acirrada, o que levou a respostas políticas mais rígidas, incluindo tarifas impostas pela União Europeia sobre veículos elétricos chineses a partir do final de 2024. No entanto, a reação global ao crescimento chinês não é uniforme.
Enquanto a Europa sente o impacto negativo, outras economias asiáticas, como Taiwan, estão se beneficiando do aumento dos investimentos relacionados à inteligência artificial impulsionados pelos EUA. Além disso, países do Sul e Sudeste Asiático têm atraído fábricas que buscam se distanciar da dependência da China. Shearing observa que a ideia de uma “ameaça absoluta” da China é uma visão excessivamente influenciada por perspectivas ocidentais.
Desafios Internos e Deflação
Internamente, a situação da China é mais sombria. A pressão de preços que afeta os produtores ocidentais está resultando em um fenômeno de deflação dentro do país, o que pode ter um impacto negativo no crescimento do PIB. Apesar do governo chinês reportar um crescimento em torno de 5% no último ano, análises independentes indicam que a realidade pode ser bem diferente.
Outra preocupação importante é o setor imobiliário, que tem sido um pilar fundamental da economia chinesa. Embora muitos esperem uma recuperação nesse setor, Shearing se mostra cético, sugerindo que os preços ainda precisam cair antes que haja qualquer possibilidade de estabilização.
Adicionalmente, há incertezas sobre a capacidade e a vontade do governo chinês de promover reformas econômicas significativas. O próximo Plano Quinquenal pode, pela primeira vez, incluir uma ênfase no aumento do consumo no PIB, mas isso não garante que mudanças estruturais acontecerão. Shearing expressa dúvidas sobre a disposição das autoridades em implementar as reformas necessárias.
Consequências Globais
Como resultado dessas dinâmicas, o modelo econômico da China tende a resultar em crescimento baixo, deflação e um superávit comercial crescente, o que agrava as tensões globais. Enquanto o país enfrenta um ambiente econômico interno desafiador, o Ocidente se vê pressionado por uma concorrência cada vez mais intensa.
Os efeitos disso podem levar a um cenário global onde “ninguém fica satisfeito”, com fissuras internacionais se aprofundando em vez de se resolverem.
