25/01/2026
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Cidades da China criam auxílio na compra de imóveis pela crise

Os governos locais da China estão intensificando suas ações para enfrentar a crise no setor imobiliário, que continua a afetar a economia do país. Diversas iniciativas estão sendo tomadas, incluindo a oferta de subsídios para a compra de imóveis e a redução de juros em financiamentos habitacionais.

Essas medidas foram ampliadas em um contexto onde as projeções indicam que o mercado imobiliário permanecerá fraco por mais tempo. Em 2022, as vendas das cem maiores empresas do setor totalizaram 1,61 trilhão de yuans, cerca de 231,2 bilhões de dólares. Essa quantia representa uma queda de 20% em relação ao ano anterior e uma redução impressionante de 60% em comparação ao máximo histórico alcançado em 2021.

Na cidade de Changzhou, na província de Jiangsu, um programa de subsídios para a compra de apartamentos foi ampliado. Iniciado em abril do ano passado, o programa oferecia incentivos para a aquisição de imóveis remanescentes. A partir de 2023, tanto imóveis novos quanto usados poderão se beneficiar dos subsídios, que podem chegar a 200 mil yuans, cobrindo até 15% do custo de uma nova casa; e até 180 mil yuans para imóveis usados.

Até o final de novembro de 2022, aproximadamente 4,8 mil famílias utilizaram esses subsídios na cidade, gerando um impacto econômico estimado em 6,9 bilhões de yuans, segundo o governo municipal.

Em Wuhan, na província de Hubei, o governo abriu um programa de inscrição para subsídios de juros em financiamentos, válido de outubro a dezembro. Esses subsídios podem cobrir até 1% do valor principal, com um limite de 20 mil yuans, para os próximos dois anos. Medidas semelhantes foram registradas em outras cidades como Nanjing e Hangzhou.

Além disso, algumas iniciativas estão focadas em atrair trabalhadores qualificados. Em Yuncheng, na província de Shanxi, são oferecidos empréstimos de 300 mil yuans, com juros reduzidos por um período de 15 anos. Aqueles que possuem doutorado podem obter empréstimos com condições ainda mais favoráveis.

Essas iniciativas demonstram que muitos governos locais ainda têm recursos disponíveis. Por exemplo, em Changzhou, a receita tributária representou 86% da renda local, um dos índices mais altos da província. A cidade abriga importantes fábricas, incluindo uma da montadora BYD.

Entretanto, alguns locais enfrentam dificuldades financeiras maiores. Em Tangshan, na província de Hebei, os preços dos imóveis caíram: 7% para novas construções e 10% para imóveis usados, de acordo com dados oficiais. A queda na arrecadação tributária tem agravado a situação, limitando a capacidade da cidade de enfrentar a crise imobiliária e levando a uma nova redução nas vendas.

Na China, a propriedade privada de terras é proibida, e os governos locais costumavam arrecadar bastante com a venda de direitos de uso para construtoras. Atualmente, eles têm dificuldades em encontrar compradores, o que agrava ainda mais a crise.

Desde 2024, houve o lançamento de programas de habitação popular, que visam adquirir imóveis disponíveis e oferecê-los para aluguel a famílias de baixa e média renda. No entanto, muitos governos têm hesitado na implementação desses programas, devido a restrições financeiras.

Em relação ao futuro, especialistas indicam que as políticas de habitação continuarão focadas em ajustes menores, como a aquisição de imóveis disponíveis e apoio a novos compradores. Apesar disso, a estagnação do mercado sugere que o governo nacional poderá precisar intervir de forma mais significativa.

A situação se torna ainda mais desafiadora para as incorporadoras. A área total de imóveis residenciais vendidos pode cair para entre 700 milhões e 800 milhões de metros quadrados anualmente, quase metade do que foi registrado no pico de 2021. A empresa estatal China Vanke, que já foi uma das líderes do setor, enfrenta sérias dificuldades, atingindo o limite de endividamento e atrasando pagamentos a credores, resultando em um rebaixamento de sua classificação de crédito.