21/01/2026
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Chefe do FMI aconselha Europa a se recompor

Aumento das Tensões Comerciais entre EUA e Europa

Recentemente, surgiu a possibilidade de uma nova guerra comercial entre os Estados Unidos e a Europa. Na terça-feira, Kristalina Georgieva, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), alertou líderes da Europa sobre a necessidade de uma maior coordenação e agilidade. Sua mensagem foi clara: é essencial que o bloco se reorganize rapidamente.

A tensão começou no último sábado, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que pode impor tarifas sobre oito países europeus se não houver um acordo sobre a Groenlândia. As tarifas, que começariam em 10% em fevereiro e poderiam aumentar para 25% em junho, afetariam diretamente Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia. Essa situação deteriora ainda mais a relação comercial entre os dois lados do Atlântico e gera temores de retaliações por parte da União Europeia.

Os líderes europeus rapidamente se manifestaram contra essas tarifas previstas e destacaram a importância do diálogo diplomático com Washington. A busca por uma solução pacífica é fundamental para evitar a escalada do conflito comercial.

Na terça-feira, Trump também ameaçou impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses. Essa ameaça surgiu após a negativa do presidente francês, Emmanuel Macron, de integrar um “Conselho de Paz” que Trump havia proposto para discutir o conflito em Gaza.

Durante uma entrevista no Fórum Econômico Mundial em Davos, Geórgia pediu que as políticas de tarifas sejam aplicadas de maneira pragmática. Ela destacou que a Europa ainda não está utilizando todo o seu potencial econômico para influenciar os acontecimentos globais. Georgieva enfatizou que o FMI tem solicitado que os países europeus avancem na construção do mercado único e que melhorem sua competitividade.

A diretora do FMI apontou que a Europa está perdendo espaço em produtividade e que as pequenas empresas estão enfrentando dificuldades para crescer e se tornarem grandes participantes no mercado global. Para reverter essa situação, Georgieva sugere quatro medidas essenciais: finalizar a união dos mercados de capitais, concluir a união energética, facilitar a migração de trabalhadores e aumentar investimentos em pesquisa e inovação.

Ela também chamou atenção para o fato de que uma parte significativa das economias europeias está sendo investida fora do continente. Aproximadamente 300 bilhões de euros, o que equivale a cerca de 351 bilhões de dólares, estão aplicados nos Estados Unidos, o que prejudica o crescimento econômico na Europa.

Além disso, Georgieva destacou a fragmentação do mercado energético na Europa como um grande obstáculo, pois existem 27 sistemas de energia diferentes que dificultam a concorrência global. A falta de integração também impede a livre circulação de trabalhadores, como é o caso das dificuldades enfrentadas por aqueles que cruzam a fronteira entre Alemanha e França.

Ela acredita que os líderes europeus estão cientes das reformas necessárias, mas o avanço na implementação tem sido lento. Portanto, fez um chamado à urgência para que políticas efetivas sejam colocadas em prática.

As recentes ameaças tarifárias de Trump foram consideradas inaceitáveis por líderes europeus, que estão estudando possíveis contramedidas. A França, em especial, sugeriu que a União Europeia utilize um mecanismo econômico robusto, conhecido como Instrumento Anticoerção.

No mesmo dia, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, reiterou que a Europa deve buscar maior autonomia em meio a um ambiente geopolítico instável. Em seu discurso em Davos, ela afirmou que, se as mudanças internacionais forem permanentes, a Europa necessitará de transformações estruturais duradouras.

Trump anunciou que se reunirá com autoridades europeias durante o Fórum Econômico Mundial para discutir suas intenções em relação à Groenlândia.

Na segunda-feira, o FMI revisou levemente suas previsões de crescimento econômico global, estimando um aumento de 3,3% neste ano e 3,2% em 2027. A revisão foi motivada pelo impacto menor das tarifas, que até agora não resultaram em uma guerra comercial mais ampla. O FMI considera que essa contenção é positiva para a economia global e para os países envolvidos.

Georgieva pediu cautela e equilíbrio ao discutir tarifas, lembrando que, no ano passado, muitas previsões alarmistas sobre crises econômicas não se concretizaram, pois decisões racionais prevaleceram sobre impulsos imediatos.