25/07/2026
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Angela Davis na Flip: Supremacistas saíram do armário

No Brasil pela décima vez, Angela Davis parece não ter consciência de que talvez seja o nome mais esperado desta edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Em uma manhã de entrevistas no Rio de Janeiro, com sessão de fotos e gravações para as redes sociais, a escritora e ativista, que é uma das maiores referências do feminismo, não se deixou abalar. No próximo sábado (25), às 18h, ela estará em uma plateia com capacidade para 700 pessoas, no Sesc Caborê.

Tem a seu lado Gina Dent, acadêmica que é também companheira de vida e de projetos. Juntas, elas escrevem um livro sobre jazz e defendem o fim do sistema carcerário. Davis explica por que o trumpismo não é sinônimo do que a maioria está sentindo nos Estados Unidos e nega que a supremacia branca esteja em ascensão. “Eles apenas saíram do armário.”

Para ela, a tentativa de equiparar antissemitismo à solidariedade palestina deve ser colocada na conta dos conservadores. Já os progressistas ainda não encontraram uma forma de se organizar. Questionada como se sente sendo retratada como um ícone, refuta: “Detesto isso.”

Sobre a abolição das prisões, Davis afirma que não acredita que a proposta minimize o sofrimento das vítimas. “Muitas pessoas se identificam com a justiça transformativa porque ela presta atenção não apenas às necessidades da pessoa que foi vitimizada, mas também atende às formas pelas quais a própria sociedade gera as forças que empurram as pessoas a agir de maneiras tão violentas.”

Ela avalia como perigoso o papel crescente de reconhecimento facial, inteligência artificial e algoritmos preditivos na segurança pública. “A base é o racismo estrutural. O policiamento preditivo é projetado para manter as estruturas sociais e econômicas como estão.”

A ativista também comentou sobre o movimento “Defund the Police”. Para ela, o movimento fracassou em grande parte por causa de intervenções conservadoras. “A trajetória foi interrompida, mas as bases foram lançadas.”

Davis disse que a supremacia branca faz parte da história dos EUA. “Quando os exemplos mais extremos de supremacia branca foram responsáveis pelo ataque ao Congresso em 2021 representavam, não sei, um quarto das pessoas nos EUA.”

Sobre o retorno de Trump, ela afirma que a razão pela qual ele voltou foi porque muitas pessoas deixaram de votar. “Esquecemos isso e assumimos que esse tipo de conservadorismo e a supremacia branca estão em ascensão. E não acho que estejam. Eu acho que eles apenas saíram do armário.”

A escritora também falou sobre a causa palestina. “Há muitas pessoas que estão envolvidas na luta palestina há décadas, inclusive eu, que também se posicionam contra o antissemitismo. A tentativa de equiparar o antissemitismo com a solidariedade palestina é uma tática que tem sido usada pelos conservadores.”