A mefedrona, uma droga sintética conhecida popularmente como “miau-miau”, vem ganhando destaque na Rússia, gerando comparações com a crise do fentanil nos Estados Unidos. Ambas as substâncias são potentes e viciantes, além de serem mais acessíveis do que muitas outras drogas, o que facilita sua proliferidade.
O uso da mefedrona tem aumentado significativamente entre jovens, especialmente adolescentes, além de militares e veteranos que estiveram na guerra na Ucrânia. Atualmente, estima-se que essa droga corresponda a cerca de um terço de todas as vendas de substâncias ilegais no país. Ela é frequentemente comercializada na dark web, onde usuários trocam avaliações sobre diferentes lotes da droga.
Segundo traficantes entrevistados, o custo para produzir um quilo de mefedrona varia entre 30 mil e 150 mil rublos, o que equivale a aproximadamente R$ 2 mil a R$ 10 mil. Este quilo pode ser vendido por até 2 milhões de rublos, cerca de R$ 137 mil. Os componentes para a produção da mefedrona vêm de indústrias químicas legais na Rússia ou são importados da China, e a droga é fabricada em laboratórios clandestinos. Kits para sua produção são oferecidos na dark web e em aplicativos de mensagens.
Um dos produtores relatou que, diferentemente de outras drogas sintéticas que exigem equipamentos caros e precisão, a mefedrona pode ser feita em casa, tornando-se acessível para qualquer estudante. Apesar dos esforços das autoridades que desmantelaram 138 laboratórios em 2024, a distribuição da droga continua. Mortes relacionadas ao uso de substâncias ilegais na Rússia mais que dobraram desde 2019, superando 10 mil anualmente, com uma parcela significativa atribuída à mefedrona.
Além do aumento no consumo entre jovens, a guerra na Ucrânia também contribui para essa realidade. Historicamente, o uso de drogas entre veteranos de guerra tem sido um problema. Um especialista destacou que o trauma resultante de conflitos, como a guerra soviética no Afeganistão, levou muitos a buscar alívio nas drogas. Atualmente, as condições enfrentadas pelos soldados na Ucrânia, incluindo a exposição a violências extremas, podem resultar em um aumento do uso de substâncias como a mefedrona.
O consumo da mefedrona, ou “sal”, tem crescido em diversas regiões da Rússia, como Krasnodar, Moscou e Kurgan, e também é amplamente utilizado em áreas da Ucrânia ocupadas, como Donetsk. Essa situação levanta preocupações sobre os impactos sociais e de saúde pública que a disseminação dessa droga pode gerar nos próximos anos.